A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou uma cerimônia histórica para conceder diplomas de graduação póstumos a 23 estudantes e dois professores que foram vítimas da ditadura militar. Entre os homenageados está Fernando Augusto da Fonseca, estudante de economia que, há 53 anos, foi detido e torturado por 20 dias em dependências do Exército no Recife, onde acabou sendo assassinado após ter sido forçado a abandonar seus estudos e sua vida no Rio de Janeiro devido à repressão política.
O filho de Fernando, André Luiz Araújo da Fonseca, de 56 anos, recebeu o diploma em nome do pai. Para ele, o documento representa a conclusão de um ciclo interrompido pelo autoritarismo. “Essa identidade como estudante de Economia era muito forte para ele. O diploma encerra um ciclo, é como se ele estivesse atingindo aquele objetivo lá do passado. De todas as homenagens que ele já tinha recebido, essa para mim é a que tem mais peso”, afirmou André, que hoje também atua como professor na UFRJ.
Durante o evento, o reitor da UFRJ, Roberto de Andrade Medronho, enfatizou que a entrega dos diplomas é um compromisso institucional com a memória e a justiça. “O amanhã depende da nossa coragem de lembrar, da nossa disposição de lutar pelo que acreditamos e, sobretudo, da nossa determinação de defender a democracia todos os dias, para que ninguém se esqueça do que aconteceu”, declarou o reitor.
A cerimônia também contou com a participação de figuras como o jornalista Franklin Martins, presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) em 1968, que relembrou a resistência estudantil contra a repressão estatal. Já a atual coordenadora-geral do DCE Mário Prata da UFRJ, Malu Cerqueira, destacou que a iniciativa serve como um ato de reparação e uma tomada de posição política. “Essa é a memória que a gente quer que essa universidade preserve. Não a memória de torturadores, mas a dos melhores filhos do povo, dos lutadores que enfrentam esse regime autoritário”, pontuou.
Vale lembrar que, em julho de 2026, a universidade já havia iniciado esse processo de reparação ao entregar um diploma póstumo ao estudante de economia Stuart Angel Jones, torturado e morto pelo regime em 1971. O levantamento dos nomes dos homenageados foi realizado pela Comissão da Verdade da instituição.







