A Secretaria Municipal da Mulher de Búzios, no Rio de Janeiro, realizou a inauguração do Banco Vermelho na Praça dos Ossos, como parte da campanha “Búzios por Elas”. A iniciativa visa aproximar a rede de proteção municipal da população, facilitando o acesso a informações sobre serviços de assistência e orientação para mulheres em situação de vulnerabilidade ou violência.
Significado histórico e memória
A escolha da Praça dos Ossos para a instalação não foi aleatória. O local possui um peso histórico significativo, pois foi onde Ângela Diniz, conhecida como “Pantera de Minas”, foi assassinada em 30 de dezembro de 1976. O Banco Vermelho serve como um memorial não apenas para Ângela, mas para todas as vítimas de feminicídio, reforçando a importância do enfrentamento contínuo à violência contra a mulher.
Ângela Diniz foi morta a tiros pelo então companheiro, Raul Fernando do Amaral Street, o Doca Street, após uma discussão sobre o término do relacionamento. O crime, ocorrido na casa de veraneio da vítima, chocou o país e tornou-se um divisor de águas na sociedade brasileira.
Impacto jurídico e social
O caso ganhou repercussão nacional também pelo desenrolar jurídico. No julgamento de 1979, a defesa de Doca Street utilizou a tese da “legítima defesa da honra”, alegando que o réu havia agido por amor e sob provocação. A condenação inicial, que permitiu ao réu cumprir a pena em liberdade, gerou uma onda de indignação popular e mobilizou movimentos feministas em todo o Brasil.
O clamor social foi tão intenso que o julgamento foi anulado. Em um novo processo, Doca Street foi condenado a 15 anos de prisão por homicídio qualificado. Esse episódio foi fundamental para o surgimento do lema “quem ama não mata”, que se tornou um símbolo da luta contra o feminicídio. A instalação do Banco Vermelho em Búzios reafirma esse compromisso histórico, mantendo viva a memória da vítima e a necessidade urgente de prevenir novos casos de violência de gênero.







