A desigualdade social no Brasil reflete-se de forma acentuada na velhice. Atualmente, seis em cada dez brasileiros com 60 anos ou mais dependem exclusivamente dos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Enquanto uma parcela da população consegue complementar a renda com previdência privada ou regimes específicos de servidores públicos, a maioria sobrevive com valores próximos ao piso mínimo. Dados do Ministério da Previdência indicam que o valor médio recebido pelos aposentados é de R$ 3.207,05, bem abaixo do teto previdenciário de R$ 8.475,55.
O abismo social e racial
O secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Alexandre da Silva, destaca que o país possui grupos sociais que chegam aos 80 anos com estabilidade financeira e saúde, enquanto outros chegam sem qualquer reserva. A especialista em finanças e CEO do Movimento Black Money, Nina Silva, aponta que a disparidade racial é um fator determinante: “Trabalhadores pretos e pardos recebem cerca de 40% a 45% a menos que trabalhadores brancos. Como a aposentadoria é reflexo do histórico contributivo, essa massa chega à velhice com benefícios no piso mínimo”.
Violência patrimonial e golpes
Além da questão financeira, a segurança dos idosos é uma preocupação crescente. A violência patrimonial — que envolve a tomada ou destruição de bens, dinheiro ou documentos — tem registrado números alarmantes. Segundo a coordenadora-geral do Disque 100, Franciely Almeida, foram registradas mais de 59 mil denúncias de violações de direitos humanos em questões patrimoniais envolvendo idosos em 2025, com mais de 19 mil casos contabilizados apenas neste ano.
Prevenção e conscientização
Casos de abuso financeiro ocorrem frequentemente dentro do próprio núcleo familiar. O servidor público Flávio Amorim relata que sua mãe, uma professora aposentada, sofreu um prejuízo de R$ 370 mil após sua própria filha realizar empréstimos consignados utilizando o celular da vítima, que estava fragilizada por problemas de saúde. Para combater esse cenário, especialistas defendem a ampliação da educação financeira para idosos e o fortalecimento de mecanismos de proteção contra fraudes. O tema é o foco do programa “O relógio financeiro da longevidade”, que busca debater o perfil das vítimas e as formas de prevenir a exploração financeira na terceira idade.







