A Polícia Militar iniciou uma ocupação por prazo indeterminado em cinco comunidades que integram o Complexo de Israel, localizado na zona norte do Rio de Janeiro. A estratégia envolve um contingente de mais de 220 policiais, que realizarão o patrulhamento ininterrupto, durante 24 horas por dia, nas localidades de Cinco Bocas, Cidade Alta, Pica-Pau, Vigário Geral e Parada de Lucas. A região é apontada como o principal reduto de Álvaro Malaquias Santos Rosa, conhecido como Peixão, uma das lideranças centrais da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).
Força-tarefa e monitoramento estratégico
A operação conta com a integração de diversas unidades especializadas, incluindo o Comando de Operações Especiais (COE), o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), o Batalhão de Choque, o Batalhão de Ações com Cães, o 1º Comando de Policiamento de Área (1º CPA), o Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE), o Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (RECOM) e o Batalhão Tático de Motociclistas (BTM). Segundo o major Maicon Pereira, porta-voz da corporação, o foco é o policiamento preventivo e ostensivo, com apoio constante do setor de inteligência. A logística de troca de turnos dos militares ocorre diretamente no local, garantindo presença contínua e a realização de varreduras minuciosas.
Medidas de segurança e controle territorial
Como medida de segurança pública, as autoridades determinaram o fechamento imediato de vias expressas críticas da capital fluminense, como a Avenida Brasil e as Linhas Vermelha e Amarela, caso ocorram confrontos armados com criminosos na região. O Complexo de Israel é marcado por um cenário de extrema violência, onde Peixão exerce um controle territorial rígido, utilizando uma fachada religiosa para justificar a imposição de uma ditadura fundamentalista e a perseguição de grupos religiosos rivais ou dissidentes.
Resultados das operações recentes
A ocupação é um desdobramento de uma operação conjunta entre as polícias Civil e Militar realizada na última terça-feira (25), focada no combate ao tráfico de drogas do TCP. A ação, baseada em investigações da 38ª Delegacia Policial, resultou na prisão de oito criminosos, incluindo Luana Rosa de Araújo, identificada como braço direito de Peixão. Durante as diligências, as forças de segurança localizaram um imóvel fortificado, utilizado pelos traficantes como casamata, além de apreenderem dispositivos eletrônicos que passarão por perícia.
Simultaneamente, ações de inteligência estenderam-se à comunidade Buraco do Boi, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Nessa frente, três suspeitos foram detidos e o gerente do tráfico local foi neutralizado após confronto com os agentes. A operação na Baixada também resultou na apreensão de dois fuzis, uma carga expressiva de entorpecentes e diversos veículos que haviam sido roubados, reforçando o impacto das ações policiais contra a estrutura logística da facção.







