O governo federal, em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), lançou um painel interativo capaz de projetar como as alterações climáticas afetarão o regime de chuvas e as temperaturas no Brasil e em toda a América Latina nas próximas décadas. A tecnologia integra o AdaptaBrasil, uma plataforma que consolida indicadores de risco climático para todos os 5.570 municípios brasileiros, analisando fatores como vulnerabilidade, exposição e ameaças ambientais.
Monitoramento e planejamento estratégico
O objetivo principal da ferramenta é auxiliar gestores públicos na tomada de decisões estratégicas para a adaptação climática. Com o novo painel, é possível acessar mapas detalhados que projetam mudanças sob quatro níveis distintos de aquecimento global: 1,5°C, 2°C, 3°C e 4°C. Segundo o secretário de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Aloisio Melo, o governo tem trabalhado para tornar a adaptação uma agenda transversal e prioritária, estruturada por meio de planos setoriais que buscam dar concretude ao desenvolvimento sustentável do país.
Márcio Rojas da Cruz, coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, reforçou que o acesso a esses dados é o primeiro passo para o planejamento futuro. A interface permite que usuários comparem diferentes cenários em uma única tela, facilitando a compreensão de como eventos extremos podem se comportar conforme a temperatura do planeta aumenta. Christian Miziara, gerente de soluções da RNP, destacou que a unificação dessas informações em uma única plataforma é essencial para visualizar a correlação entre temperatura e precipitação.
Ciência e transparência
Para o pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Jean Ometto, a democratização dessas projeções é fundamental para a sociedade. Embora o cálculo de risco climático envolva incertezas inerentes à ciência, o painel busca oferecer a informação mais robusta e transparente possível. Esse esforço visa garantir que o planejamento público seja baseado em evidências científicas sólidas, permitindo que o Brasil enfrente suas vulnerabilidades socioeconômicas históricas, agora agravadas pelo contexto das mudanças climáticas globais.







