O arquipélago de Abrolhos, um dos maiores redutos de biodiversidade marinha do Brasil, tornou-se o palco de uma das histórias de conservação mais bem-sucedidas do país. A observação das baleias-jubarte, que viajam da Antártida para acasalar e parir em águas brasileiras, revela um crescimento populacional expressivo, saltando de cerca de 1,5 mil indivíduos para 35 mil em três décadas.
A importância do monitoramento
A prática de “baleiagem” – o acompanhamento dos animais em alto-mar – permite que pesquisadores coletem dados cruciais sobre o comportamento e a saúde da espécie. Cada baleia é identificada por padrões únicos na parte traseira da cauda, funcionando como uma impressão digital. Durante as expedições científicas, amostras de pele e gordura são coletadas por meio de dardos especiais, permitindo análises genéticas e de saúde sem causar danos significativos aos animais, que pesam cerca de 30 toneladas.
O fotógrafo de vida selvagem Enrico Marcovaldi, que documenta a espécie há quase 40 anos, destaca a relevância dessas expedições. O trabalho contínuo de catalogação e pesquisa é fundamental para entender a dinâmica populacional e garantir a preservação da espécie após o fim da caça comercial.
Histórico de proteção
A caça às baleias-jubarte no Brasil, que visava principalmente a extração de óleo para iluminação, foi proibida apenas em 1987, quando a espécie já estava na lista de animais em risco de extinção. Logo após a criação do Parque Marinho de Abrolhos, pesquisadores identificaram uma pequena população remanescente. Foi nesse contexto que Marcovaldi e a bióloga Márcia Engel fundaram o projeto dedicado ao estudo e proteção das jubartes.
O sucesso do projeto é evidenciado pela recuperação populacional robusta. O que antes era uma espécie ameaçada de desaparecimento, hoje é um símbolo de resiliência marinha. O monitoramento constante continua sendo a principal ferramenta para assegurar que a população de jubartes mantenha sua trajetória de crescimento, protegendo um dos maiores tesouros naturais da costa brasileira.







