A trajetória de Paulo Salomão, um experiente piloto de embarcações em Caravelas, na Bahia, ilustra a transformação econômica e ambiental ocorrida no Arquipélago dos Abrolhos. Após a criação do Parque Marinho em 1983, que proibiu a pesca na região, Salomão redirecionou sua atividade profissional para o transporte de turistas e o ensino de mergulho, adaptando-se a um novo modelo de exploração sustentável dos recursos marinhos.
O fenômeno das baleias-jubarte
O arquipélago de Abrolhos consolidou-se como uma importante maternidade para as baleias-jubarte. Anualmente, esses animais percorrem cerca de 4 mil quilômetros desde a Antártica até as águas quentes do sul da Bahia para acasalar e dar à luz. Esse movimento biológico tornou-se o motor de um pujante setor econômico: o turismo de observação.
Segundo Salomão, o fluxo de visitantes cresceu significativamente nas últimas décadas. “Há uns dez anos, o maior fluxo de pessoas passou a ser em julho e agosto. Hoje, o mês de agosto, que é o pico, supera os três meses de verão”, afirma. Essa mudança sazonal permitiu que profissionais locais, antes dependentes apenas da alta temporada de verão, garantissem renda durante todo o ano.
Impacto na conservação
O sucesso desse modelo de turismo está diretamente ligado à recuperação da população de baleias-jubarte, que saltou de menos de 2 mil indivíduos no início da década de 1990 para cerca de 35 mil em 2022. Esse aumento é atribuído a rigorosas políticas de proteção e ao papel fundamental de instituições especializadas.
O Instituto Baleia Jubarte, institucionalizado há 30 anos com o apoio da Petrobras, tem sido peça-chave na preservação. Eduardo Camargo, diretor executivo da entidade, destaca que o turismo de observação atua como uma ferramenta estratégica de conservação ao “agregar valor econômico à baleia viva”. Essa nova perspectiva de mercado não apenas beneficia a economia dos municípios costeiros, mas também promove uma convivência harmoniosa entre o desenvolvimento local e a proteção da biodiversidade marinha, garantindo que o espetáculo das baleias continue a atrair visitantes e a sustentar famílias inteiras na região.







