Com o pleito eleitoral se aproximando, os 2,1 milhões de eleitores que residem nas 1.724 favelas do estado do Rio de Janeiro, conforme dados do Censo Demográfico de 2022, colocam a educação e a infraestrutura urbana como pontos centrais de suas demandas. A desigualdade na presença do Estado nessas regiões, que ainda enfrentam carências crônicas em saneamento e serviços públicos, pauta a escolha de candidatos pelos moradores das periferias.
Na capital fluminense, cerca de 1,3 milhão de pessoas vivem em 813 favelas, áreas que frequentemente sofrem com a falta de coleta de lixo e redes de esgoto. Segundo Eblin Farage, professora da UFRJ e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Favelas e Espaços Populares, essas regiões não são homogêneas, mas compartilham a necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes e integradas.
Letícia Vitória Guimarães, de 16 anos, moradora do Complexo do Alemão e integrante do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente, votará pela primeira vez e busca representantes comprometidos com pautas negras e direitos humanos. “Muitas vezes, governantes chegam com respostas prontas, sem saber o que queremos, como achamos melhor, então, precisa ser alguém disposto a ouvir”, afirma a jovem, que também aponta a mobilidade urbana como um desafio crítico.
A falta de linhas de transporte que conectem as favelas da zona norte a outras regiões da cidade, como a zona sul, é um entrave tanto para o lazer quanto para a inserção profissional. Letícia critica ainda a insuficiência dos valores repassados em programas de aprendizagem, que muitas vezes não cobrem os custos básicos de deslocamento e alimentação dos jovens. “Hoje, R$ 20 não pagam nem uma quentinha”, ressalta.
Outro ponto de preocupação é a falta de oportunidades de emprego para jovens formados. Isabelle Rodrigues Trindade, jornalista de 26 anos e moradora da Rocinha, relata a dificuldade de encontrar vagas na sua área de formação, mesmo após concluir o curso superior. A busca por melhores condições de vida, segurança e acesso à cultura permanece no topo da agenda dos moradores dessas comunidades, que esperam que os próximos governantes priorizem a escuta ativa e o desenvolvimento social desses territórios.







