No Parque Nacional Hustai, na Mongólia, uma cena que parecia improvável há algumas décadas tornou-se realidade: 354 cavalos selvagens takhi galopam livremente. Este animal, considerado o único cavalo verdadeiramente selvagem sobrevivente, enfrentou a extinção na natureza por quase 30 anos antes de um bem-sucedido projeto de reintrodução.
Um símbolo de resistência
Para o povo mongol, o takhi é mais do que um animal; é um símbolo de respeito, adoração e espírito livre. Dashpurev Tserendeleg, diretor do parque, explica que a presença do cavalo devolveu ao país uma fonte de orgulho nacional. “Takhi significa respeito e adoração. Fala do espírito livre e da resistência. São cavalos animais muito especiais para os mongóis”, afirma.
Diferente de outras espécies frequentemente chamadas de selvagens, que são descendentes de animais domésticos, o takhi possui características genéticas únicas, incluindo 66 cromossomos, enquanto cavalos domésticos possuem 64. Sua aparência também é distinta, com porte menor, focinho claro e cauda menos espessa.
O caminho da extinção ao retorno
A espécie sofreu com a exploração humana entre o final do século 19 e o início do século 20, quando expedições capturaram dezenas de animais para zoológicos europeus. A população selvagem declinou rapidamente, e o último registro de um takhi na Mongólia ocorreu em 1968. A sobrevivência da espécie dependeu exclusivamente de indivíduos mantidos em cativeiro.
A virada ocorreu na década de 1970, com programas de reprodução liderados por conservacionistas holandeses. Em 1992, os primeiros 15 cavalos retornaram à Mongólia. O processo exigiu um período rigoroso de adaptação em áreas cercadas. “Eles tinham passado algumas gerações na Europa e em outros lugares com clima muito mais ameno e praticamente tinham esquecido tudo: o que era neve, o que era um lobo. Se fossem soltos diretamente na natureza, não sobreviveriam”, explica Tserendeleg.
Hoje, com cerca de 800 animais vivendo em áreas protegidas na Mongólia, o caso do takhi é celebrado como um exemplo de sucesso da cooperação internacional na preservação da biodiversidade, provando que é possível reverter danos profundos ao ecossistema quando há esforço científico e político conjunto.







