A classe C, que representa 53% da população brasileira, não possui um consenso sobre o tamanho ideal do Estado, mas tem uma exigência clara: quer um governo que funcione. A análise é do pesquisador Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, que lançou recentemente a obra “Brasil da maioria: 25 anos da classe C”. Segundo ele, o desejo primordial deste grupo é por serviços públicos de qualidade e com menos burocracia.
O protagonismo da classe C
Meirelles destaca que a classe C ocupa hoje o centro das decisões econômicas e políticas do país. Com uma renda média familiar de R$ 3,5 mil, esse segmento é composto pela maioria dos trabalhadores urbanos, pequenos empreendedores e usuários de serviços públicos. Nas últimas três décadas, esse grupo experimentou uma aceleração em suas conquistas, mas viu esse ritmo diminuir, o que gera uma expectativa por avanços mais consistentes.
“O que ela espera, em primeiro lugar, é que seja um Estado que funcione”, resume o pesquisador. Para ele, a mudança de perspectiva é nítida quando comparada ao cenário pré-Plano Real, onde o planejamento de longo prazo era inviável devido à instabilidade econômica.
Mudança de hábitos e sonhos
O pesquisador observa uma transformação significativa nos objetivos de vida dessa parcela da população. Se antes o sonho de consumo era a aquisição de bens como o carro zero, hoje o foco se deslocou para o investimento em pequenos negócios e na educação. “Houve um ciclo virtuoso em que a distribuição de renda permitiu que beneficiários de programas sociais comprassem mais, movimentando a economia e gerando novos empregos”, explica.
Essa evolução também se reflete na exigência política. A classe C, que antes buscava apenas a ascensão básica, agora demanda melhorias estruturais, como o acesso ao ensino superior e serviços de saúde mais eficientes. O “Brasil da maioria” não quer apenas consumir, mas deseja participar ativamente do desenvolvimento do país, exigindo que o Estado entregue resultados práticos que facilitem o cotidiano e garantam o futuro das próximas gerações.







