O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) implementou, pela segunda vez neste ano, um plano emergencial para reduzir a geração de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN). A ação, realizada entre 11h e 13h30 de um domingo, teve como foco principal a preservação da segurança operacional do sistema, diante da previsão de menor demanda energética durante o fim de semana. A medida não trouxe impactos diretos aos consumidores, restringindo-se ao gerenciamento junto às distribuidoras.
Medidas de controle e impacto na geração
A estratégia focou na restrição da geração de usinas Tipo 3, categoria que abrange pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa, além de empreendimentos eólicos e solares de menor porte conectados às redes de distribuição. Medidas complementares também foram aplicadas para reduzir a produção de usinas sob controle direto do operador. Este cenário de excesso de oferta tem sido monitorado de perto, especialmente após episódios em 2025, quando a geração distribuída chegou a representar 37,6% da demanda nacional, quase provocando sobrecarga no sistema.
Inovação tecnológica e o futuro do setor
Para lidar com a crescente complexidade trazida pela geração distribuída — que hoje soma cerca de 50 GW de capacidade instalada no país —, o ONS anunciou o desenvolvimento do Esquema Regional de Alívio de Geração (Erag). Este sistema automático prevê a capacidade de cortar até 3 gigawatts (GW) em situações críticas, divididos em três estágios de 1 GW cada. Um projeto-piloto está previsto para ser executado até o final de 2026, com potencial de implementação em larga escala a partir de 2027.
Posicionamento do setor
A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) confirmou que as distribuidoras seguirão as diretrizes estabelecidas pelo ONS para a execução do plano. Contudo, a entidade ressaltou a necessidade de procedimentos mais detalhados e critérios técnicos transparentes. Segundo a Abradee, a definição clara dessas normas é fundamental para garantir a segurança operacional e jurídica tanto para os operadores quanto para os geradores de energia, em um momento em que a matriz energética brasileira passa por transformações significativas devido à expansão das fontes renováveis.







