A vida nas estepes da Mongólia, tradicionalmente guiada pelos sinais da natureza, tornou-se uma fonte de crescente preocupação para pastores como Batchuluun Maamun, de 57 anos. Acostumado a ler as mudanças no vento e no céu para prever o clima, ele observa que os padrões ambientais estão cada vez mais instáveis. Nas últimas décadas, secas severas e invernos extremos, conhecidos localmente como dzud, têm devastado rebanhos, resultando em perdas massivas de ovelhas, cabras, cavalos e bois.
Impactos da desertificação e mudanças climáticas
O cenário é crítico: cerca de 70% a 76% do território mongol, o que equivale a aproximadamente 36 milhões de hectares, sofre com processos de desertificação e degradação do solo. Esse fenômeno, agravado pelo sobrepastoreio, atividades de mineração e a escassez de fontes de água, coloca em risco a sobrevivência de uma cultura nômade que depende inteiramente da saúde dos ecossistemas. Em 2010, um inverno rigoroso dizimou centenas de animais de Batchuluun, e eventos similares em 2020 e 2023 continuaram a pressionar a economia dessas comunidades.
Desafios para a cultura nômade
A família de Batchuluun, que reside na zona de amortecimento do Parque Nacional de Hustai, exemplifica a resiliência desses povos. Movimentos sazonais entre acampamentos de verão e cabanas de inverno são fundamentais, mas a capacidade de suporte das pastagens tem sido superada. Dados oficiais indicam que a Mongólia contava com 58 milhões de animais em 2025, um aumento de 0,8% em relação ao ano anterior, mas ainda distante dos 71 milhões registrados antes do dzud de 2023.
Expectativas por soluções globais
Com uma população de 3,4 milhões de habitantes, dos quais 700 mil são nômades ou seminômades, a Mongólia busca respostas urgentes. Durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, temas como a gestão de pastagens e o financiamento para o combate à seca foram colocados no centro do debate. Para Batchuluun, o respeito à natureza e a educação das futuras gerações são pilares essenciais para que o modo de vida nômade possa perdurar frente aos desafios climáticos globais.







