Uma mudança significativa nas recomendações médicas para o tratamento de alterações na tireoide durante a gestação foi estabelecida. De acordo com novas diretrizes, gestantes que apresentam anticorpos contra a tireoide, conhecidos como anti-TPO, mas que mantêm o funcionamento da glândula dentro da normalidade, não devem mais utilizar medicamentos hormonais de forma preventiva.
Base científica para a mudança
A decisão baseia-se em três grandes estudos recentes que comprovaram a ineficácia do tratamento preventivo na redução de riscos como abortamento ou parto prematuro. As orientações foram atualizadas pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, alinhando-se aos protocolos da Associação Americana da Tireoide publicados em junho deste ano.
Durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, realizado no Rio de Janeiro, especialistas reforçaram que, se os níveis de TSH e T4 livre estão normais, a paciente é considerada eutireoidiana. Segundo Cleo Mesa Júnior, subcoordenador do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, não há benefício comprovado no uso da levotiroxina apenas pela presença do anticorpo positivo, que indica apenas uma predisposição à disfunção.
Monitoramento contínuo
Apesar da suspensão do uso preventivo do hormônio sintético, o acompanhamento clínico permanece indispensável. A atividade da glândula deve ser monitorada rigorosamente ao longo da gravidez, visto que a presença do anti-TPO eleva o risco de desenvolvimento de hipotireoidismo durante o período gestacional. Para mulheres que já possuíam diagnóstico de hipotireoidismo antes de engravidar, a recomendação permanece inalterada: o aumento de cerca de 30% na dosagem habitual do hormônio logo após a confirmação da gestação.
O Brasil mantém sua estratégia de rastreamento precoce para todas as gestantes, visando identificar precocemente quem necessita de intervenção terapêutica. Essa abordagem difere do rastreamento seletivo proposto internacionalmente, que foca apenas em mulheres com fatores de risco como obesidade ou idade materna avançada. Especialistas alertam que o rastreamento seletivo pode falhar ao deixar de identificar pacientes que não se enquadram nos critérios de risco, mas que apresentam alterações tireoidianas.







