A pesquisadora e professora de teoria literária da Universidade de Brasília (UnB), Ana Rüsche, lançou a obra Inesquecíveis: Quatro Séculos de Poetas Brasileiras, publicada pela editora Bazar do Tempo. Em coautoria com Lubi Prates, o livro traça um panorama da poesia escrita por mulheres no Brasil, desde o século 18 até as primeiras décadas do século 21, combatendo o apagamento histórico que atingiu nomes como Martha de Hollanda, Pagu e Beatriz Nascimento.
A dupla jornada das poetas
Para Ana Rüsche, a escrita nunca foi uma atividade isolada para essas mulheres. “São mulheres que não só têm que escrever, mas têm que organizar a luta política, têm que organizar a própria crítica. Elas traduzem, publicam, organizam outras mulheres. Só escrever nunca é uma opção”, declarou a autora em entrevista à Agência Brasil. A obra não apenas reúne poemas, mas apresenta perfis e trajetórias, propondo novas referências para o estudo da literatura nacional.
O livro abrange momentos cruciais da história brasileira, como o movimento pela independência, a conquista do voto feminino e o fortalecimento da imprensa feminista, culminando na diversidade do mercado editorial contemporâneo, representado por autoras como Conceição Evaristo. A obra foi tema de uma roda de conversa durante a 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), na Casa Sete Selos + Gama, Megafauna e Supersônica.
Resgate e memória
O mérito da coletânea reside na organização de um corpus de poemas que estavam fragmentados. “O livro recupera obras que estavam esquecidas e separadas. Eu acho que só de mostrar o que existe é uma grande contribuição”, explica Rüsche. A autora destaca que o trabalho se baseia em pesquisas prévias de historiadoras e estudiosas da literatura. A Flip deste ano homenageia a poeta Orides Fontela (1940-1998), cuja trajetória também foi marcada pela invisibilidade, reforçando a importância do projeto de Rüsche e Prates.



