Em um mundo marcado por desastres naturais, conflitos e crises humanitárias, o voluntariado tem se mostrado uma ferramenta essencial para a preservação da saúde mental. No Dia Nacional do Voluntariado, celebrado nesta sexta-feira (28), iniciativas lideradas por profissionais de saúde e grupos de apoio destacam o impacto transformador da doação de tempo e conhecimento para populações em situação de vulnerabilidade.
Atuação em desastres
A psicóloga Esly Carvalho, com 45 anos de experiência e especializada em traumas, tem dedicado parte de sua rotina ao treinamento de equipes em áreas atingidas por catástrofes. Utilizando a técnica EMDR, uma abordagem psicoterapêutica focada no desbloqueio de memórias dolorosas, ela tem capacitado profissionais para lidar com o estresse pós-traumático. Um exemplo recente foi sua atuação após o terremoto na Venezuela, onde formou mais de 100 colegas que, por sua vez, prestaram assistência a centenas de vítimas.
O suporte, realizado de forma remota, tem sido vital em regiões com escassez de especialistas. A psicoterapeuta Deglya Flores, residente em Caracas, relata que o auxílio recebido via videoconferência foi fundamental para estabilizar o grupo de profissionais locais, que se encontravam angustiados diante da magnitude do desastre. Atualmente, esse grupo também estende o atendimento a vítimas de terremotos na Colômbia, demonstrando a eficácia da rede de apoio à distância.
Redes de apoio e acolhimento
Além da atuação técnica, o voluntariado também se manifesta através de movimentos de escuta e acolhimento comunitário. O projeto Help, por exemplo, nasceu em 2017 a partir de um grupo de amigos em São Paulo que, após superarem crises de depressão, decidiram oferecer ajuda a quem sofria em silêncio. A iniciativa, que começou com mensagens em viadutos e pontes, hoje conta com 7 mil voluntários em todo o Brasil.
A estrutura do projeto cresceu significativamente, utilizando as redes sociais para alcançar milhares de pessoas. Com uma página que reúne centenas de milhares de seguidores, o grupo promove palestras em escolas e oferece escuta ativa em locais de grande circulação, como rodoviárias e parques. Essas ações reforçam a importância de espaços de fala e suporte emocional, provando que o voluntariado, seja através de intervenções especializadas ou do simples ato de ouvir, preenche lacunas críticas no sistema de saúde e fortalece os laços sociais em momentos de crise.







