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Segurança Infantil nas Férias: Riscos de Acidentes Domésticos e Como Prevenir

As férias aumentam a exposição das crianças a riscos como quedas, queimaduras e afogamentos. Saiba quais são os acidentes mais comuns e as dicas essenciais da pediatra para garantir a segurança infantil nas férias.
Segurança Infantil nas Férias: Riscos de Acidentes Domésticos e Como Prevenir

O período de férias escolares, embora seja sinônimo de descanso e lazer, exige que pais e responsáveis redobrem a atenção com a segurança das crianças. A mudança na rotina, o maior tempo livre dentro de casa, as viagens e as atividades ao ar livre aumentam significativamente o risco de acidentes infantis. Muitos desses incidentes têm potencial para causar sequelas graves ou, tragicamente, levar à morte.

Os acidentes mais comuns na infância variam conforme a idade, mas os registros mais frequentes incluem quedas, queimaduras, engasgos, sufocamentos e intoxicações por produtos de limpeza ou medicamentos. No verão, o afogamento se torna o risco predominante.

O Perigo Silencioso Dentro de Casa

A falsa sensação de segurança dentro do lar é um dos fatores mais perigosos, conforme alerta a pediatra Maria Fernanda Spigolon, do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM). Ela explica que a maioria dos acidentes com bebês e pré-escolares (entre 3 e 5 anos) ocorre justamente no ambiente doméstico.

“Muitas vezes, os pais acreditam que o ambiente está totalmente seguro, mas basta um segundo de distração para que o acidente aconteça”, adverte a médica. A rotina de férias intensifica a exposição ao risco. Viagens, ambientes desconhecidos – como casas de parentes, sítios e hotéis – e a maior circulação de pessoas exigem uma supervisão ainda mais atenta.

Outro ponto crítico é a chamada “supervisão diluída”, que se torna comum em reuniões familiares e confraternizações. A falha de comunicação é determinante: “É frequente que todos acreditem que outro adulto esteja cuidando da criança, quando, na verdade, ninguém está supervisionando de forma ativa. Essa falha de comunicação pode ser determinante para a ocorrência de acidentes”, reforça a especialista.

Afogamentos e Estatísticas Alarmantes

Durante as férias, o risco de afogamentos aumenta drasticamente, seja em piscinas, praias, rios ou, perigosamente, em baldes e banheiras. O mesmo cuidado se aplica a quedas em locais não adaptados, como playgrounds, e queimaduras causadas por churrasqueiras ou fogos de artifício.

A incidência de acidentes domésticos impacta diretamente os atendimentos nas emergências pediátricas. No pronto-socorro, os profissionais observam um aumento expressivo dos casos graves em períodos de férias e feriados prolongados, principalmente afogamentos e intoxicações. A Dra. Maria Fernanda Spigolon pontua que esses são acidentes com alto potencial de morte ou sequelas permanentes.

Os números reforçam a urgência do alerta. Afogamentos, sufocamentos, queimaduras extensas e intoxicações graves estão entre os acidentes com maior risco de óbito na infância. O afogamento, em particular, é traiçoeiro. “Ele acontece de forma silenciosa e muito rápida. Pode causar lesão cerebral por falta de oxigênio, insuficiência respiratória e sequelas neurológicas permanentes, além do risco de morte”, explica a médica.

Dados recentes do Ministério da Saúde apontam que, em 2024, 456 crianças e adolescentes (de 0 a 19 anos) morreram no Brasil vítimas de acidentes domésticos. Dentre essas fatalidades, os sufocamentos (213) e os afogamentos (104) foram as causas mais frequentes. Entre 2010 e 2023, o país registrou mais de 71 mil mortes por afogamento em todas as faixas etárias.

Os Dois Pilares da Prevenção

A prevenção é, inegavelmente, a estratégia mais eficaz para reduzir acidentes. A pediatra Maria Fernanda Spigolon enfatiza que a ação preventiva se baseia em dois pilares essenciais: supervisão ativa e adaptação do ambiente.

A prevenção começa em casa. É crucial instalar redes de proteção em janelas e grades de segurança em escadas. Mantenha medicamentos e produtos de limpeza trancados e fora do alcance das crianças. Proteger tomadas e ajustar a temperatura da água do banho para prevenir queimaduras são cuidados básicos.

Acima de tudo, nunca deixe uma criança sozinha em ambientes com água, nem por um segundo. A supervisão deve ser constante e ininterrupta, especialmente em locais de lazer aquático.

O que Fazer em Caso de Emergência

Diante de uma situação de risco ou acidente grave, a primeira recomendação é retirar a criança da fonte de perigo, garantindo sempre a segurança de quem presta o socorro. Acione imediatamente o serviço de emergência, ligando para 192 (Samu) ou 193 (Corpo de Bombeiros).

Se possível, inicie as manobras de primeiros socorros enquanto aguarda a chegada do atendimento profissional. A Dra. Maria Fernanda Spigolon finaliza com um alerta vital: “É fundamental que, mesmo que a criança pareça bem após um evento grave, como um afogamento ou ingestão de substância, ela seja avaliada em um serviço de saúde. Algumas complicações sérias podem surgir horas depois do ocorrido.”