A infância é um período de descobertas e aprendizado constante, e a forma como os meninos interagem com o mundo ao seu redor é moldada, em grande parte, pelo comportamento que observam em casa. Cleomar Barros, analista de sistemas e pai de um menino de 8 anos, exemplifica essa postura ao intervir prontamente quando o filho faz comentários inadequados sobre colegas. Para ele, a educação passa por mostrar, na prática, que o respeito às mulheres deve ser naturalizado em todos os ambientes, tratando a esposa e a filha com o mesmo cuidado e parceria que espera que o filho replique.
A educação pelo exemplo
Especialistas em masculinidade saudável reforçam que o exemplo paterno é a chave para combater a misoginia. Em um cenário marcado por violências crescentes, a postura afetiva dos pais no presente atua como uma barreira preventiva. O psicanalista Thiago Queiroz, autor do livro Amor de pai, enfatiza que as formas mais eficazes de aprendizado infantil ocorrem por meio do modelo apresentado pelo pai. “Esse processo é interpretado pela criança, pelo filho, à medida que vai crescendo”, afirma Queiroz, destacando que o respeito precisa ser uma constante no convívio familiar.
A psicóloga Bárbara Lobato, que atua em Brasília, observa que há um número crescente de pais engajados em desconstruir comportamentos machistas. Segundo ela, essa é uma construção que deve ser feita de forma cotidiana e transparente. “É muito importante que os homens saibam, na vida adulta, identificar e falar sobre as suas dores para que possam transmitir as melhores mensagens aos filhos”, pontua a especialista. O diálogo aberto e a conexão emocional são fundamentais para que os meninos desenvolvam uma visão de mundo mais empática e igualitária.
Ferramentas para uma criação consciente
Para pais que buscam orientar seus filhos, o uso de literatura infantil que retrata a força feminina de forma lúdica é uma estratégia recomendada. Ao mostrar que as mulheres não dependem de figuras salvadoras para serem protagonistas de suas histórias, os pais ajudam a quebrar estereótipos de gênero desde cedo. Na pré-adolescência, o tema da violência contra a mulher também deve ser abordado com seriedade e clareza, preparando os jovens para entenderem a importância do consentimento e da dignidade humana.
O combate ao machismo não se resume a datas comemorativas, mas a um compromisso diário de postura. Ao observar e corrigir comentários inadequados, ao demonstrar vulnerabilidade e ao promover a igualdade nas tarefas domésticas e no tratamento interpessoal, os pais desempenham um papel civilizatório. Essa abordagem não apenas protege as mulheres, mas também permite que os meninos cresçam como homens mais conscientes, preparados para construir relações saudáveis e respeitosas em todas as esferas da vida.







