O Ministério Público Federal (MPF) entrou com recurso no Tribunal Regional Federal da 2ª Região solicitando a elevação para R$ 5 milhões da indenização por danos morais coletivos imposta à União. O pedido surge após manifestações institucionais da Marinha do Brasil que desqualificaram a memória de João Cândido e dos marinheiros envolvidos na Revolta da Chibata, ocorrida em 1910.
Histórico de perseguição e silenciamento
O recurso, assinado pelo procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, argumenta que o valor fixado anteriormente é incompatível com a gravidade das ofensas proferidas pelo então comandante da Marinha em 2024. Na ocasião, o oficial classificou o movimento histórico como uma página deplorável e os marinheiros como abjetos, ignorando a luta contra os castigos físicos que perduravam pós-abolição.
Destinação dos recursos
O MPF defende que o montante solicitado seja revertido integralmente para projetos de preservação da memória de João Cândido, o Almirante Negro. A ação busca não apenas uma reparação financeira, mas o reconhecimento oficial da importância histórica do líder da revolta, combatendo o silenciamento institucional que persiste há mais de um século sobre os fatos que marcaram a trajetória dos marujos de baixa patente.



