Edição Brasília

MPF pede condenação da Marinha por ofensas à memória de João Cândido

MPF cobra R$ 5 milhões da União por ataques da Marinha à memória de João Cândido, o Almirante Negro. Entenda a ação civil pública e o legado da Chibata.
MPF pede condenação da Marinha por ofensas à memória de João Cândido

O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal para acelerar o julgamento de uma ação civil pública contra a União, motivada por declarações da Marinha consideradas ofensivas à memória de João Cândido. Conhecido como o Almirante Negro, Cândido liderou a Revolta da Chibata em 1910, lutando contra castigos físicos e condições degradantes impostas aos marinheiros.

Danos morais e reparação histórica

O MPF pleiteia o pagamento de R$ 5 milhões anuais por danos morais coletivos, argumentando que as manifestações de oficiais da Marinha violam a memória da população negra brasileira. O órgão destaca que a anistia concedida aos revoltosos tem um valor simbólico que deve ser respeitado pelas instituições de Estado.

A ação teve origem após a Marinha se posicionar contra a inclusão de João Cândido no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria, classificando o levante histórico como um episódio “deplorável”. Para o procurador Julio Araujo, essa postura configura uma perseguição institucional contínua que ignora a luta por dignidade humana na força militar.