Um protesto realizado em 5 de outubro, logo após o primeiro turno das eleições, reuniu centenas de pessoas em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O movimento, que começou com estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), ganhou força nas ruas e contou com a adesão de moradores e transeuntes que se somaram à caminhada em defesa da educação pública.
Origem da mobilização
A manifestação foi organizada pelo Centro Acadêmico Evaristo da Veiga e pela Associação Atlética Acadêmica Camillo Guerreiro, ambos do curso de Direito. O ato foi uma resposta direta à preocupação dos estudantes com o cenário político da época, marcado por uma disputa eleitoral acirrada. A proposta de transferir as universidades do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência e Tecnologia, defendida pelo candidato Flávio Bolsonaro, foi um dos principais pontos de tensão.
Valentina Cruz, diretora do Centro Acadêmico de Direito, destacou que a medida era vista como uma ameaça real ao orçamento das instituições. “A vitória significaria corte em todas as áreas, da infraestrutura ao auxílio permanência”, afirmou a estudante. O receio era baseado na experiência do governo anterior, entre 2019 e 2022, quando a UFF foi alvo de cortes orçamentários e críticas públicas por parte de autoridades federais.
Memória e resistência
Simão Gabriel Adorno, membro da atlética do curso, relembrou os impactos dos contingenciamentos que atingiram as universidades federais anos antes. Naquela época, cortes de até 30% nas verbas afetaram diretamente o funcionamento das unidades e a manutenção de bolsas de pesquisa, essenciais para a permanência de estudantes de baixa renda. Para os universitários, a mobilização era uma forma de proteger a instituição de ataques que consideravam vilipendiadores.
Além da questão orçamentária, o protesto também se posicionou contra a anistia defendida por apoiadores de Jair Bolsonaro, envolvidos em episódios de tentativa de golpe de Estado. A caminhada, que percorreu o bairro de Icaraí e retornou à Faculdade de Direito no Ingá, tornou-se um símbolo da resistência estudantil. O que começou como uma articulação interna entre alunos e professores transformou-se em um movimento social, refletindo a angústia e a necessidade de diálogo dos jovens frente ao futuro das políticas públicas de educação no país.







