Em um ato marcado pela dor e pela busca por respostas, familiares das vítimas da Operação Contenção reuniram-se na Vila Cruzeiro, na Penha, para cobrar justiça. A incursão policial, ocorrida em outubro de 2025 nos Complexos da Penha e do Alemão, resultou em 122 mortes, tornando-se a operação mais letal do estado do Rio de Janeiro nas últimas quatro décadas. Tauã Brito, mãe de Wellington Brito, de 20 anos, foi uma das vozes que lideraram o protesto, denunciando a disparidade no tratamento da segurança pública.
A denúncia da desigualdade no acesso à justiça
Durante o ato, Tauã Brito enfatizou que o direito à vida não deveria ser condicionado ao local de residência. “Não existe uma lei para quem mora em um condomínio da Barra da Tijuca e outra para quem mora na favela”, afirmou a confeiteira. Ela relembrou que, em maio de 2025, uma operação em um condomínio de classe média alta na Barra da Tijuca resultou na apreensão de 240 armas e sete prisões sem que houvesse qualquer disparo ou morte, contrastando drasticamente com a letalidade observada na Zona Norte.
As famílias das vítimas criticam a falta de transparência nas investigações. Passado mais de um ano da tragédia, os parentes relatam que não tiveram acesso aos laudos periciais nem aos depoimentos colhidos pelos investigadores. Além disso, há uma forte desconfiança sobre a atuação do Ministério Público Estadual, que acompanhou o planejamento da operação e as necropsias realizadas pelo Instituto Médico-Legal (IML).
A organização Human Rights Watch divulgou um posicionamento contundente sobre o caso, apontando evidências de desvio de conduta policial. A entidade destacou que nenhuma das mortes foi registrada pelas câmeras corporais dos agentes. Os dados são alarmantes: 40% das vítimas foram atingidas na cabeça, 60% receberam quatro ou mais disparos e 75% foram alvejadas pelas costas. Para as mães, a luta não é apenas por memória, mas pela responsabilização efetiva de quem executou e de quem planejou a ação.







