Passado um ano desde o início da Operação Contenção, deflagrada em 28 de outubro de 2025 nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, as circunstâncias que levaram à morte de 121 pessoas ainda não foram totalmente esclarecidas. O episódio, marcado por intensos confrontos, é considerado a incursão policial mais letal das últimas quatro décadas no estado.
Contexto da operação
A ação, que se estendeu pelos dias 28 e 29 de outubro, resultou na morte de 117 civis e quatro policiais inicialmente, com o número de agentes vitimados subindo para cinco em novembro. O objetivo declarado pelo governo estadual era realizar uma ofensiva estratégica contra o Comando Vermelho, visando desarticular a logística, a estrutura financeira e o avanço territorial da facção criminosa. No entanto, relatos de moradores e familiares de vítimas apontaram denúncias de execuções e tortura durante o desenrolar dos eventos.
Andamento das investigações
O promotor de Justiça Fabio Correa, coordenador do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), preside o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) sobre o caso. “É uma situação sui generis, como nunca aconteceu na história da segurança pública do Rio de Janeiro, tanto que é considerada a operação mais letal da história”, afirmou o promotor.
Até o momento, o MPRJ colheu depoimentos de 255 policiais, 61 presos e 45 familiares de vítimas. Além disso, os investigadores analisaram laudos do Instituto Médico-Legal (IML) e cerca de 4 mil horas de imagens de câmeras corporais. Contudo, a análise enfrenta desafios, uma vez que as baterias dos equipamentos se esgotaram durante a operação, impedindo o registro integral da conduta de todos os agentes envolvidos. Peritos do MPRJ seguem analisando casos considerados atípicos, incluindo denúncias de disparos realizados a curta distância, enquanto as polícias Civil e Federal também mantêm suas apurações em curso.







