O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) deu um passo crucial na modernização de seus serviços ao implementar um avançado sistema eletrônico de rastreabilidade de medicamentos no Hospital Cidade do Sol (HSol). Esta inovação tecnológica não apenas otimiza a rotina das equipes de saúde, mas também reforça drasticamente a segurança do paciente e fortalece o controle sobre os insumos adquiridos com recursos públicos.
A nova tecnologia substitui processos manuais demorados e suscetíveis a erros por um fluxo automatizado, rápido e altamente seguro. O objetivo principal é garantir que cada paciente receba exatamente o medicamento prescrito, na dose correta, eliminando as margens de erro inerentes às checagens em papel.
Como a Automação Garante Rastreabilidade e Eficiência
Na prática, o sistema opera através de um dispositivo eletrônico portátil, conhecido como PALM. Este aparelho é utilizado para a leitura de códigos de barras específicos presentes nas embalagens dos medicamentos e insumos. Esses códigos são gerados durante o processo de unitarização, uma prática já consolidada em todas as unidades geridas pelo IgesDF, que assegura a identificação individual de cada item, com informações precisas e registradas digitalmente.
Antes da implantação deste sistema, a conferência de medicamentos dependia inteiramente de registros manuais em papel e checagens que consumiam tempo e exigiam atenção redobrada das equipes. Com a automatização, a leitura dos códigos substituiu as anotações e eliminou a necessidade de impressões, transformando o fluxo de trabalho em um processo mais rápido, seguro e ecologicamente sustentável.
Barbara Santos, superintendente de Administração e Logística do IgesDF, enfatiza o avanço que o novo modelo representa. “O sistema automatiza a leitura de medicamentos, soros e seringas, substituindo conferências manuais. Isso agiliza o processo e reduz riscos, garantindo que o paciente receba exatamente o que foi prescrito”, explica a superintendente.
Impacto na Segurança Assistencial e Economia de Recursos Públicos
Além de elevar a segurança assistencial, a mudança implementada no HSol gera um impacto direto e positivo na gestão de recursos públicos. O IgesDF estima uma economia diária de cerca de mil folhas de papel A4. Essa redução não só diminui custos operacionais, mas também minimiza o impacto ambiental da unidade. “Ao adotar um fluxo sem papel, fortalecemos a governança, a transparência e o cuidado com o dinheiro público”, destaca Barbara Santos.
O projeto foi desenvolvido internamente no HSol, que serve como hospital modelo para o IgesDF. Misael Silva da Silveira, farmacêutico responsável técnico da unidade, explica que a meta é expandir essa experiência de sucesso para outras unidades. “O sistema permite monitoramento, rastreabilidade e maior controle em todas as etapas da dispensação”, afirma Silveira.
Um dos ganhos mais notáveis é a otimização do tempo das equipes. A checagem e separação dos medicamentos, que antes demandavam entre uma hora e uma hora e meia e eram realizadas quatro vezes ao dia, agora são concluídas em aproximadamente 30 minutos. Esse tempo recuperado é redirecionado para atividades assistenciais e o cuidado direto ao paciente, melhorando a qualidade do atendimento.
Barreira de Segurança Contra Erros de Medicação
A farmacêutica hospitalar Carolinny da Silva Dantas detalha como o novo fluxo funciona na prática. “Acessamos o sistema eletrônico, filtramos as prescrições por horário e preparamos os medicamentos conforme cada turno. Tudo é feito de forma digital, sem impressão, o que torna o trabalho mais organizado e eficiente”, relata.
O sistema atua como uma barreira de segurança essencial. Caso haja qualquer divergência entre o medicamento separado e o item prescrito, um alerta é emitido automaticamente. “Isso evita erros de medicação e garante que cada paciente receba um kit individual validado, com informações cruciais como nome, leito e data de nascimento”, reforça Misael Silva da Silveira.
Para Julia Gurgel, gerente do Hospital Cidade do Sol, a automatização da farmácia marca um novo momento para a unidade. “Reduzir etapas manuais diminui riscos de erro, otimiza o tempo das equipes e amplia a rastreabilidade dos medicamentos. Isso reflete diretamente na qualidade do atendimento aos pacientes”, avalia.
Diante dos resultados extremamente positivos alcançados no HSol, o IgesDF já planeja a expansão imediata do sistema. A tecnologia está sendo implantada no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) e, em seguida, será levada às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). A iniciativa reforça o compromisso do IgesDF com a inovação, o controle eficiente dos insumos e, acima de tudo, com um atendimento cada vez mais seguro e de alta qualidade para a população do Distrito Federal.



