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GDF Cria Cargos Comissionados e Emprega Mais de 200 Pessoas em Situação de Rua

Descubra como o GDF está rompendo o ciclo da invisibilidade. Nova política de inclusão produtiva garante 15 cargos comissionados e mais de 200 empregos para ex-moradores de rua. Leia as histórias de sucesso.
GDF Cria Cargos Comissionados e Emprega Mais de 200 Pessoas em Situação de Rua

O Governo do Distrito Federal (GDF) está promovendo uma mudança histórica na política de inclusão produtiva ao criar 15 cargos comissionados destinados exclusivamente a cidadãos que superaram a situação de rua. Esta medida, parte essencial do plano distrital para essa população, não apenas oferece um emprego, mas transforma trajetórias marcadas por fome, frio e invisibilidade em rotinas de trabalho, renda e dignidade.

A diretriz central do plano é clara: garantir condições concretas para que o indivíduo deixe a rua de forma sustentável. Gustavo Rocha, secretário-chefe da Casa Civil e coordenador do plano, enfatiza que a simples remoção de pessoas não resolve o problema. “Não adianta retirar alguém de um ponto da cidade sem oferecer alternativa. A ideia do plano distrital é dar condições para que a pessoa possa sair da rua”, explica Rocha.

O plano foi estruturado com base em um diagnóstico técnico abrangente, mapeando o perfil da população e identificando as lacunas de suporte: moradia, local para pernoitar, qualificação profissional, escola para os filhos e até mesmo espaço para animais de estimação. Rocha é categórico: “Sem trabalho, ninguém rompe o ciclo da rua.”

Inclusão Produtiva e Resultados Expressivos

Além da criação dos cargos comissionados nas secretarias, o GDF determinou que empresas contratadas pelo governo reservem 2% das vagas para pessoas em situação de rua. O impacto dessa determinação já é significativo. “Só nesse período, empregamos mais de 200 pessoas. Muitas choraram ao conseguir um lugar para morar e um trabalho, depois de passarem meses ou anos na rua”, revela Gustavo Rocha.

A secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, reforça que a política de empregabilidade é decisiva para a reconstrução da autonomia. Ela ressalta a complexidade da população atendida: “Quando se fala de população em situação de rua, as pessoas tendem a colocar todo mundo em uma caixa só. Mas são histórias muito diferentes, muitas vezes marcadas por quebra de vínculo familiar, dificuldade de saúde mental ou dependência química. Cada pessoa precisa de resposta específica.”

Para Marra, a assistência social garante a dignidade mínima e a esperança, mas é a inclusão produtiva que consolida o processo. “Não existe solução simples: ofertar uma vaga de emprego não basta se a pessoa ainda não está estruturada para assumir essa responsabilidade. É o GDF inteiro trabalhando de forma integrada para que ela supere a extrema vulnerabilidade”, afirma.

Os cargos comissionados, segundo a secretária, complementam o conjunto de ferramentas, garantindo que pessoas com experiência de vida nas ruas participem ativamente da construção das políticas públicas que as beneficiam. “Quando você olha para essas pessoas com respeito, quando alguém sabe o nome delas e entende a história que está por trás, isso muda tudo. É assim que se cria condição real para que elas entrem no mercado de trabalho e reconstruam o que perderam”, avalia a titular da Sedes-DF.

Histórias de Recomeço: Da Invisibilidade à Autonomia

As nomeações nas secretarias, como na Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF), já transformam vidas. Gilvandro de Araújo Soares, assessor técnico na Sejus-DF, viveu três anos em um abrigo após perder o emprego na pandemia. Ele participou das conferências que antecederam o projeto e foi um dos primeiros nomeados. “No primeiro salário eu saí do abrigo. Aluguei um apartamento. Estou lá até hoje”, conta Gilvandro, que retomou sua vida em 2019.

Josiris Lacerda, profissional de tecnologia, passou todo o ano de 2024 nas ruas. O impacto da invisibilidade era profundo. “As pessoas passam e você deixa de existir”, recorda. Após ser atendido pelo Centro Pop e ingressar no programa RenovaDF, sua vida mudou. “Hoje moro em Taguatinga Norte. Tenho perspectiva, tenho um horizonte. O RenovaDF realmente renova a vida da gente”, celebra Josiris, que foi contratado após três meses de curso.

Aroldo Pereira dos Santos enfrentou barreiras adicionais para se recolocar no mercado de trabalho, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Ele persistiu, ingressou no RenovaDF e voltou a estudar. “Antes eu era um homem sem perspectiva. Agora tenho planos, estudo e trabalho”, resume. A virada é palpável: “Passei fome, frio e dor. Agora posso escolher o que vou comer e levar meus filhos e netos para passear.”

As nomeações e as vagas reservadas se somam a um conjunto articulado de políticas do GDF, que incluem o RenovaDF, restaurantes comunitários com alimentação gratuita, o Hotel Social, passagens interestaduais para reintegração familiar e a ampliação do atendimento especializado. Para Ana Paula Marra, o avanço depende da continuidade: “A população em situação de rua cresce, mas Brasília é uma cidade de oportunidade. O GDF precisa seguir expandindo a rede.”