A busca pelo ensino superior tem ganhado novos protagonistas no Distrito Federal. Em salas de aula de cursinhos populares, como o Jovem de Expressão (JEX), em Ceilândia, histórias de superação se misturam à preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Entre os alunos está Raimundo dos Santos Nascimento, de 62 anos, um dos mais de 13 mil candidatos acima dos 60 anos inscritos para a edição de 2026.
Trajetórias de superação
Raimundo, que já viveu em situação de rua no Plano Piloto, encontrou no estudo uma nova perspectiva de vida. Após concluir o ensino fundamental na Escola de Meninos e Meninas do Parque, ele agora mira uma vaga no curso de psicologia da Universidade de Brasília. “Quando eu era mais novo, deixei de estudar, mas gosto de aprender. Agora, com 62 anos, me sinto jovem”, afirma o estudante.
O JEX faz parte da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), que reúne 1.535 unidades em todo o país. A rede atende mais de 58 mil estudantes da rede pública, priorizando pessoas negras, indígenas, quilombolas, PCDs e famílias de baixa renda, com teto de até um salário mínimo por pessoa.
Educação como divisor de águas
Para muitos, o cursinho é a única alternativa viável para conciliar os estudos com a jornada de trabalho. Márcia Regina Carvalho Damasceno Dias, diarista que retornou aos estudos após duas décadas, destaca a importância do apoio pedagógico. “É um momento divisor de águas. Quero fazer nutrição e, embora o cansaço da dupla jornada seja grande, minha expectativa está lá em cima”, relata.
O impacto dessas iniciativas vai além do conteúdo acadêmico. Gilmara Pereira Braga, caixa de supermercado de 47 anos, encontrou no cursinho a superação de antigos medos, especialmente em relação à matemática. O ambiente acolhedor e o suporte dos professores permitem que esses estudantes, muitas vezes afastados do sistema formal de ensino por longos períodos, voltem a sonhar com uma formação superior e um futuro profissional mais promissor.







