O Brasil reafirmou sua posição fora do Mapa da Fome, conforme aponta o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2026” (SOFI). Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU) indicam que, no triênio 2023-2025, o país manteve a proporção de sua população subnutrida abaixo do limite de 2,5%, patamar técnico utilizado pela entidade para definir a saída do mapa.
Trajetória de superação da fome
Esta é a segunda vez que o Brasil alcança essa marca com base nos dados do relatório SOFI, sendo a primeira ocorrida em 2013. O documento, divulgado na última terça-feira (21) em Roma, durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da FAO, destaca a importância das políticas públicas. A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, ressaltou que os resultados provam que a fome não é inevitável. “Quando os governos priorizam o combate à fome, à pobreza e à desigualdade, é possível alcançar avanços concretos”, afirmou a ministra.
Indicadores e desafios futuros
O fundador do Instituto Fome Zero e ex-diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, celebrou a marca. Em entrevista, ele estimou que, ao analisar outros indicadores do relatório, a subalimentação no Brasil pode estar em um patamar ainda menor, entre 0,6% e 0,7%. O relatório, elaborado em conjunto por instituições como OMS, Unicef e PMA, também aponta que a insegurança alimentar severa atingiu o menor patamar da série histórica, afetando 0,6% da população, o que equivale a 1,2 milhão de pessoas.
Apesar dos números positivos, Graziano da Silva faz um alerta necessário sobre a persistência da vulnerabilidade. “Mais de 1 milhão de pessoas ainda têm uma insegurança alimentar severa no Brasil, segundo os próprios dados do relatório. É muita gente”, pontuou o especialista, reforçando que o país deve manter o foco em políticas de assistência para erradicar completamente a fome.



