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Acolhe DF realiza 453 abordagens e oferece tratamento a pessoas em situação de rua no DF

O programa Acolhe DF transformou 453 vidas entre julho e dezembro de 2025. Entenda a atuação integrada que oferece tratamento voluntário e reinserção social para pessoas em situação de rua no DF.
Acolhe DF realiza 453 abordagens e oferece tratamento a pessoas em situação de rua no DF

A reestruturação do programa Acolhe DF, oficializada pelo Decreto nº 47.423 em julho de 2025, estabeleceu um novo marco na política do Distrito Federal voltada ao atendimento de pessoas em situação de rua (PSR). Consolidada como um programa de governo de atuação integrada, a iniciativa reúne diferentes secretarias e promove um trabalho contínuo e humanizado, focado na reconstrução de vidas.

Em apenas cinco meses, entre julho e dezembro de 2025, as equipes multiprofissionais do Acolhe DF realizaram 453 abordagens ativas. O foco principal dessas ações, coordenadas pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF), reside na escuta qualificada, no acolhimento e na construção de alternativas viáveis para indivíduos em situação de extrema vulnerabilidade. As ações de busca ativa, realizadas em diversas regiões administrativas do DF, revelaram que 76% das pessoas abordadas no período são homens, refletindo o perfil predominante da população atendida.

Tratamento Voluntário e Reinserção Social

O principal eixo de encaminhamento oferecido pelo programa é o tratamento contra a dependência química, sempre realizado de forma estritamente voluntária. A confiança estabelecida pelas equipes resultou em um número significativo de aceitações: 105 pessoas aceitaram o acolhimento em uma das seis comunidades terapêuticas parceiras do Acolhe DF, entre 28 de julho e 19 de dezembro de 2025.

Nesses espaços, os acolhidos podem permanecer por até 12 meses, recebendo suporte psicossocial e acompanhamento contínuo. A história de Carlos (nome fictício), de 38 anos, ilustra o impacto do programa. Após anos vivendo nas ruas devido ao rompimento de vínculos e perda de emprego, ele encontrou no Acolhe DF a oportunidade de recomeço. “Eu já tinha perdido a esperança. O que fez a diferença foi a forma como eles conversaram comigo, sem julgamento. Hoje estou em tratamento, pensando em voltar a estudar e reconstruir minha vida”, relata Carlos.

Após o período de tratamento nas comunidades terapêuticas, o programa garante a continuidade da reinserção social. Os acolhidos têm acesso a cursos de capacitação profissional, como os oferecidos pelo RenovaDF, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet), ampliando significativamente suas chances de autonomia financeira e retorno ao mercado de trabalho.

Múltiplos Caminhos para a Autonomia

Embora o tratamento para dependência química seja o foco principal, as abordagens do Acolhe DF respeitam a individualidade e o desejo de cada pessoa, resultando em uma diversidade de encaminhamentos. No período analisado, 24 pessoas foram auxiliadas a retornar para seus estados de origem, e 19 conseguiram ser reintegradas ao convívio familiar, reconstruindo laços perdidos.

O acesso ao trabalho e à moradia também são pilares essenciais do programa. Um total de 27 pessoas foram encaminhadas para oportunidades de emprego, um passo crucial para romper ciclos de exclusão. Além disso, 26 atendidos foram direcionados para tratamento de saúde, incluindo atendimentos especializados, e 37 receberam encaminhamento para a Companhia de Desenvolvimento Habitacional do DF (Codhab), facilitando o acesso à política habitacional.

A Força da Atuação Integrada e Humanizada

Para a secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani, o balanço positivo demonstra o fortalecimento do programa como uma política pública estruturante. “O Acolhe DF é a prova de que a atuação integrada do governo faz diferença na vida das pessoas. Cada abordagem é uma oportunidade de reconstrução, feita com respeito, dignidade e cuidado”, afirma.

O secretário-chefe da Casa Civil do DF, Gustavo Rocha, reforça que a iniciativa está inserida na Política Distrital para a População em Situação de Rua, evidenciando que “políticas públicas consistentes são construídas quando os órgãos governamentais atuam de maneira coordenada, com olhar humano e compromisso social”.

A construção de confiança é o fator decisivo para o sucesso das ações, conforme explica o subsecretário de Enfrentamento às Drogas da Sejus, Diego Moreno. “O acolhimento acontece no tempo da pessoa. Muitas vezes, é preciso voltar duas, três, quatro vezes até que ela se sinta segura para aceitar ajuda. Tudo é feito de forma voluntária, com paciência e escuta”, detalha Moreno.

As ações do Acolhe DF são realizadas semanalmente, em parceria com administrações regionais e outros órgãos do GDF, abrangendo áreas de maior concentração de pessoas em situação de rua e equipamentos públicos estratégicos, como o Hotel Social, localizado no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN).