Um levantamento divulgado pela Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJRacial) revelou que operações policiais na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, resultaram em 282 mortes entre 2020 e 2025. O estudo, baseado em dados das redes sociais da Polícia Civil e Militar, contabilizou 5.298 operações, que também deixaram 5.783 presos e 652 feridos.
O modus operandi da segurança pública
Kharine Gil, mestre em sociologia e pesquisadora da IDMJRacial, afirma que os números refletem o “modus operandi do Estado nos territórios favelados e periféricos”. Segundo ela, é fundamental questionar a eficácia dessas ações e o impacto real na população local, indo além da propaganda oficial de segurança pública. A Polícia Militar foi responsável por 86% das ações registradas no período.
Dados por batalhões e aumento da letalidade
O dossiê detalha a atuação de batalhões específicos. O 15º BPM (Duque de Caxias) liderou com 1.289 ações, resultando em 71 mortes. O 20º BPM (Mesquita, Nova Iguaçu e Nilópolis) realizou 1.034 operações, com 51 mortes, enquanto o 39º BPM (Belford Roxo) registrou 569 ações e 45 óbitos. Além disso, o relatório aponta um crescimento de 614% nas operações da Polícia Civil na região entre 2020 e 2024.
Posicionamento da Polícia Militar
Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que não comenta levantamentos de instituições externas que não utilizem bases oficiais. A corporação defende que suas ações seguem critérios técnicos e de inteligência, focando em áreas com alta incidência de criminalidade e disputas territoriais por facções. A PM ressalta que toda intervenção deve seguir protocolos legais e que casos com resultado de morte são rigorosamente apurados pelos órgãos competentes, incluindo o Ministério Público.



