Um levantamento detalhado realizado pelo Instituto Trata Brasil avaliou as propostas de 62 dos principais candidatos a governos estaduais e revelou um cenário preocupante: apenas 13 deles possuem planos abrangentes para o saneamento básico. A pesquisa considerou os candidatos com maior probabilidade de eleição ou disputa de segundo turno, com base em intenções de voto registradas entre 22 de agosto e 4 de setembro.
A metodologia da análise dividiu as propostas em quatro níveis de profundidade: ausente, superficial, transversal e abrangente. O nível abrangente, que contempla planejamento, viabilização de investimentos, governança e metas tangíveis, foi alcançado por uma minoria. Embora todos os candidatos tenham mencionado o saneamento em algum momento, a qualidade dessas propostas varia drasticamente. Foram identificadas 44 propostas transversais e cinco superficiais.
Luana Pretto, presidente executiva do instituto, aponta que o tema ganhou visibilidade nos últimos quatro anos, mas ainda carece de objetividade. “A grande questão é se comprometer com metas claras e objetivas, ou seja, saber qual é o percentual de água e esgoto que eu tenho hoje e qual é o percentual que eu vou entregar no final do meu mandato”, afirma a especialista. Ela destaca que, embora 87% dos candidatos citem a universalização, apenas 26% estabelecem metas verificáveis.
Além da falta de metas, a especialista alerta para a ausência de discussões sobre regulação. “Eu falo de universalização, mas eu não falo de regulação, que é um tema muito importante quando a gente olha que as agências reguladoras têm que ser técnicas, independentes e fortalecidas para cobrar tanto a expansão dos serviços quanto a operação eficiente desses serviços”, acrescenta. Entre os temas mais citados, além da universalização, aparecem drenagem (76%), saneamento rural (66%) e investimentos (58%).
Em conclusão, o estudo reforça que a presença do saneamento no discurso eleitoral não garante, por si só, uma gestão eficiente. É necessário que os futuros governantes avancem na criação de instrumentos de acompanhamento e no fortalecimento das agências reguladoras para garantir que os serviços de água e esgoto cheguem à população de forma sustentável e planejada.







