O mercado de limão enfrenta um período de alta volatilidade e preços elevados, superando as médias históricas mesmo durante a entressafra. A escassez do produto é o principal motor dessa valorização, com produtores enfrentando dificuldades severas para garantir a colheita em meio a condições climáticas desfavoráveis que impactaram a florada desde o início do ano.
Impacto climático na produção
Segundo o pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), o limão possui uma volatilidade de preços característica, mas o cenário atual é atípico. O excesso de chuvas e a alta umidade no primeiro semestre prejudicaram a florada principal, que deveria abastecer o mercado no segundo semestre. Esse fenômeno não apenas reduziu a quantidade disponível, mas também afetou a qualidade comercializável dos frutos.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revelam a dimensão do problema no cinturão cítrico paulista, responsável por 80% da produção nacional. O preço médio pago ao produtor pela caixa de 27,2 kg saltou de R$ 32,10 em junho para R$ 104,78 em agosto, um aumento acumulado de 226,4%. Em comparação ao mesmo período de 2025, o valor está 71% mais caro.
Escassez e demanda
A situação é agravada pela concentração da produção. Regiões como Matão e Bebedouro, que detêm 68% da área produtiva, foram as mais atingidas pelas chuvas acima da média. Além da redução da oferta interna, o mercado precisa lidar com a competição entre o consumo doméstico e as exportações, que absorvem cerca de 11% da safra, principalmente para a Europa. A demanda interna também se manteve aquecida devido ao calor intenso registrado entre agosto e setembro.
Nos grandes entrepostos, a alta foi expressiva: no Ceagesp, o preço do quilo subiu de R$ 1,82 para R$ 8,62 no pico de setembro. A expectativa é que a normalização dos preços ocorra apenas com a chegada da nova safra, prevista para o final do ano. Embora sinais de queda tenham sido observados recentemente, a estabilidade ainda é incerta, dependendo do volume de colheita que deve ganhar relevância a partir de meados de novembro.







