O impacto da inteligência artificial (IA) no processo eleitoral é o tema central de um programa especial que discute como a tecnologia tem transformado a comunicação política. Com o avanço de ferramentas capazes de gerar áudios, vídeos e imagens realistas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu diretrizes rígidas para o uso desses recursos nas propagandas eleitorais, visando garantir a transparência e a integridade do pleito.
Desafios da era digital
A inteligência artificial, definida pela capacidade de máquinas simularem habilidades humanas como aprendizado e tomada de decisão, tornou a distinção entre o real e o fabricado uma tarefa complexa. Embora o uso de IA não seja proibido, a legislação exige que qualquer conteúdo gerado por essas ferramentas seja sinalizado de forma clara e destacada. Plataformas digitais possuem a obrigação de remover imediatamente conteúdos identificados como desinformação.
Sérgio Lüdtke, editor-chefe de um projeto de checagem, alerta para a fragilidade da atenção nas redes sociais. Segundo ele, o conteúdo fragmentado gerado por IA, sem o devido contexto, facilita a manipulação do eleitorado. “Uma peça de desinformação pode mudar o resultado de uma eleição. Como mexe com a decisão das pessoas, isso pode causar grandes problemas para a nossa democracia”, pontua o especialista.
Responsabilidade e fiscalização
O professor de direito eleitoral Diogo Rais destaca que a responsabilidade sobre o conteúdo publicado recai sobre quem o compartilha, independentemente de ser candidato ou apoiador. A Polícia Federal, por meio de sua Divisão de Repressão a Crimes Eleitorais, reforça que a internet não é um ambiente sem lei. O delegado Henrique Oliveira Santos afirma que as ferramentas de investigação atuais permitem identificar não apenas a materialidade das infrações, mas também a autoria de perfis que disseminam conteúdos criminosos.
Para combater o avanço das fake news, iniciativas de educação digital e checagem de fatos têm sido fundamentais. Projetos regionais, como manuais de checagem criados no Piauí, buscam capacitar diferentes faixas etárias, desde crianças até idosos, para que não sejam manipulados por desinformação durante o período eleitoral.







