Desde o lançamento da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo) em 2024, mais de 32 mil brasileiros utilizaram o sistema de cartórios de notas para formalizar seu desejo de ser doador. A iniciativa ganha destaque especial durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre o tema, em um momento em que mais de 49 mil pessoas aguardam na fila por um transplante no país.
Como funciona o procedimento gratuito
O processo é totalmente digital e gratuito. O interessado deve acessar a plataforma Aedo, disponível no e-Notariado, preencher as informações necessárias e selecionar um cartório de notas. Após o preenchimento, é realizada uma videoconferência com o tabelião para a confirmação da identidade e da vontade do cidadão. O documento assinado eletronicamente é integrado à Central Nacional de Doadores de Órgãos, acessível aos profissionais do Sistema Nacional de Transplantes.
Desafios e a importância do diálogo familiar
Embora a Aedo permita a escolha específica de órgãos e tecidos, além da possibilidade de revogação a qualquer momento, a decisão final no Brasil ainda depende da autorização da família. Com uma taxa de recusa familiar próxima a 45%, o desconhecimento sobre a vontade do falecido é um dos principais obstáculos. Eduardo Calais, presidente do Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal, ressalta que o registro formal é um passo fundamental para abrir o diálogo dentro de casa.
Até o momento, foram registradas 32.587 solicitações de Aedo em todo o território nacional. São Paulo lidera o ranking de adesão, seguido por Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Em um cenário onde a demanda por órgãos, especialmente rins e córneas, continua crescendo, a formalização da vontade em vida torna-se uma ferramenta essencial para salvar vidas, preparando o terreno para o Dia Nacional de Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro.







