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Colonialismo Químico: 7 dos 10 agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na UE

Estudo aponta que 7 dos 10 agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na UE. Entenda o conceito de colonialismo químico e seus impactos.
Colonialismo Químico: 7 dos 10 agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na UE

Um levantamento alarmante revelou que, entre os dez agrotóxicos mais comercializados no Brasil, sete são proibidos na União Europeia (UE). A situação, classificada pela geógrafa Larissa Mies Bombardi como “colonialismo químico”, expõe uma prática onde empresas europeias exportam para o mercado brasileiro produtos que seus próprios países vetaram devido à toxicidade.

O impacto do colonialismo químico

Larissa Bombardi, pesquisadora do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), apresentou os dados durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade Federal Fluminense (UFF). Segundo a especialista, que estuda o tema há 15 anos, a proibição desses químicos na Europa ocorre porque eles são comprovadamente cancerígenos, provocam malformação fetal, distúrbios hormonais ou causam danos severos ao ecossistema.

“O Brasil se submete ao colonialismo químico por aceitar em terras nacionais o uso de substâncias proibidas na UE e exportadas para cá”, afirmou Bombardi. A pesquisadora destacou que o Brasil é o principal destino desses pesticidas banidos, tendo importado 3 mil toneladas em 2023, um volume superior ao somatório de Ucrânia, Estados Unidos e Rússia.

Biodiversidade em risco

Além dos danos à saúde humana, o uso intensivo desses químicos impacta drasticamente a fauna. Dados do “Atlas dos Pesticidas 2022”, da fundação alemã Heinrich-Böll-Stiftung, apontam um declínio de 41% no número de insetos no mundo entre 2009 e 2019, chegando a 53% no caso das borboletas. A atrazina, sexto herbicida mais vendido no Brasil, foi citada como exemplo de substância que causa anomalias em anfíbios, podendo levar à mudança de sexo e à eliminação de fêmeas em populações de sapos.

O mercado global de insumos agrícolas é altamente concentrado. Apenas quatro empresas — as alemãs Basf e Bayer, a americana Corteva e a chinesa Sinochem — detêm 51% do mercado de sementes e 62% do mercado de agrotóxicos. Essa estrutura, consolidada por décadas de fusões, mantém o Brasil como um grande consumidor de tecnologias que, em muitos casos, são rejeitadas por padrões de segurança mais rigorosos no exterior.