Nesta quarta-feira (22), o cenário comercial entre Brasil e Estados Unidos sofreu um impacto direto com a entrada em vigor de uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. A medida, de caráter unilateral, foi adotada pelo governo americano sob a justificativa de supostas práticas desleais no comércio internacional, incluindo alegações sobre desmatamento, corrupção e o uso do Pix como ferramenta de desvantagem competitiva para empresas dos EUA.
Tensões comerciais e novas ameaças
Além da taxa já vigente, o governo brasileiro monitora com cautela a possibilidade de uma nova sobretaxa de 12,5%. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo na última sexta-feira (17), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa, alertou para o risco de um cenário cumulativo. “Vamos saber se ela será cumulativa ou não. O Brasil corre risco de ter uma alíquota de 37,5%”, declarou o ministro, prevendo que a decisão oficial possa ser publicada nesta sexta-feira (24).
Brasil contesta acusações de trabalho forçado
A ameaça da nova tarifa baseia-se em um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), datado de 2 de junho, que investiga 59 países e a União Europeia. O documento alega que essas nações falham em proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado. O USTR argumenta que os acordos de livre comércio do Brasil não possuem dispositivos jurídicos suficientes para impedir a entrada desses produtos no mercado interno.
Em resposta, o governo brasileiro manifestou “profunda discordância” em nota oficial divulgada no dia 3 de junho. O Executivo classificou a medida como protecionista, afirmando que o tema da dignidade do trabalho está sendo desvirtuado para fins comerciais. O Brasil defende que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece o país há décadas como referência mundial no combate ao trabalho forçado, graças a um sistema robusto de fiscalização. Diante do impasse, o governo brasileiro já sinalizou que poderá recorrer à Lei de Reciprocidade para responder ao que considera uma taxação injusta.



