Edição Brasília

Ambulantes protestam contra programa Tolerância Zero no Rio

Trabalhadores informais protestam no Rio contra o programa Tolerância Zero. MPF pede suspensão da medida, mas prefeitura mantém fiscalização.
Ambulantes protestam contra programa Tolerância Zero no Rio

Camelôs e vendedores ambulantes reuniram-se novamente neste sábado (19), em frente ao Hotel Fasano, em Ipanema, para protestar contra o programa Tolerância Zero, da Prefeitura do Rio de Janeiro. A iniciativa municipal tem intensificado a fiscalização do comércio na orla da zona sul, gerando forte reação da categoria.

Impasse e reivindicações

Este foi o quarto ato consecutivo realizado pelos trabalhadores nesta semana. Com o uso de panelas, apitos e tambores, os manifestantes entoaram palavras de ordem como “Unidos podemos trabalhar”, exigindo a abertura de uma mesa de negociação com o Executivo municipal. Maria de Lourdes do Carmo, coordenadora do Movimento Unido dos Camelôs (Muca), afirmou que as mobilizações seguirão enquanto não houver diálogo. “A gente não vai abaixar a cabeça diante da criminalização que estão fazendo com a categoria”, declarou.

Ação do Ministério Público Federal

Na sexta-feira (18), o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública pedindo a suspensão imediata do programa. Segundo o órgão, a prefeitura não observou normas federais de gestão de praias e bens da União. O procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, criticou a falta de diálogo com a União e a ausência de alternativas para a regularização dos trabalhadores.

Em resposta, o prefeito em exercício, Eduardo Cavaliere, manteve a decisão, classificando o pedido do MPF como uma “absoluta inversão de valores”. Cavaliere defendeu a competência constitucional do município para o ordenamento urbano e o combate a organizações criminosas que, segundo ele, exploram o comércio ilegal na orla.