A corrida pela liderança em Inteligência Artificial (IA) atingiu um novo patamar com o lançamento de iniciativas distintas por parte de Estados Unidos e China. Enquanto Washington aposta em um sistema restrito de “parceiros confiáveis”, Pequim promove uma governança baseada em código aberto, criando uma clara divisão geopolítica que impacta o desenvolvimento econômico global.
A estratégia da Pax Silica
Lançada em dezembro de 2025 pelo governo de Donald Trump, a iniciativa Pax Silica busca consolidar uma ordem econômica alinhada à Casa Branca. Composta atualmente por 23 países e a União Europeia, incluindo nações como Japão, Reino Unido e, mais recentemente, países latino-americanos como Argentina e Chile, a aliança foca no controle de cadeias de suprimento de semicondutores, minerais críticos e energia.
O especialista Ettore Arpini, da organização Plures, alerta para os riscos desse modelo. “Digamos que a economia de um país dependa do ChatGPT. Uma decisão de Washington pode bloquear o acesso a essa IA, congelando a economia inteira. O país fica totalmente dependente das big techs e dos EUA”, explica Arpini.
A alternativa da Waico
Em contrapartida, a China lidera a Organização Mundial de Cooperação em IA (Waico), sediada em Xangai. Com 29 países signatários, incluindo o Brasil, a Waico defende o uso de sistemas de código aberto, permitindo que nações em desenvolvimento tenham maior autonomia sobre as tecnologias que adotam. A lista de adesão inclui Rússia, África do Sul, Paquistão e diversas nações da América Latina e África.
O governo brasileiro tem adotado uma postura cautelosa, afirmando que não pode se tornar dependente de um único modelo, seja ele chinês ou ocidental. A estratégia nacional busca manter o diálogo com ambas as frentes, priorizando a soberania digital e a capacidade de transitar entre as potências para garantir que o desenvolvimento tecnológico brasileiro não seja interrompido por sanções ou bloqueios geopolíticos.



