O setor da cachaça brasileira vive um momento de expansão expressiva. Segundo dados do Anuário da Cachaça, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil encerrou o último ano com 1.583 estabelecimentos registrados em sua cadeia produtiva. O número representa um crescimento de 272 unidades em comparação ao ano anterior, um salto de 21%, o maior índice registrado desde 2018.
Distribuição geográfica e liderança mineira
A Região Sudeste concentra a maior parte da produção, com 961 estabelecimentos, sendo Minas Gerais o estado líder com 564 unidades, seguido por São Paulo com 230. O Rio Grande do Sul, no Sul, também se destaca com 230 estabelecimentos. Ao todo, 844 municípios brasileiros possuem ao menos um registro ativo no Mapa, com Salinas (MG) ocupando o topo da lista nacional com 27 estabelecimentos.
Mercado externo e desafios de produção
O cenário de exportação também apresentou resultados positivos. Em 2025, o Brasil exportou quase 8 milhões de litros de cachaça para 76 países, um crescimento de 19,4% em relação a 2024, gerando um faturamento superior a 17 milhões. Os Estados Unidos lideram em valor pago, enquanto o Paraguai se destaca pelo maior volume importado. Apesar disso, o presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Vicente Bastos, pondera que a exportação ainda está aquém do potencial do setor.
Um ponto de atenção trazido pelo anuário é a queda no volume de produção declarada, que foi de 234,48 milhões de litros, uma redução de 15,77% frente ao ano anterior. O Ibrac ressalta que, apesar do aumento no número de marcas e estabelecimentos, o setor enfrenta desafios produtivos.
Segurança e combate à clandestinidade
O Ministério da Agricultura reforça que a produção e comercialização de aguardente sem autorização é ilegal. O consumo de bebidas clandestinas, que podem conter metanol, representa um risco grave à saúde, podendo causar cegueira e até a morte. O órgão orienta que os consumidores verifiquem sempre o número de registro no rótulo antes da compra, evitando produtos falsificados que não passaram por fiscalização sanitária.



