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Filme sobre ditadura paraguaia vence Festival Bonito CineSur

Filme paraguaio sobre a ditadura vence o festival Bonito CineSur. Conheça os detalhes da premiação e a importância do cinema na preservação da memória histórica.
Filme sobre ditadura paraguaia vence Festival Bonito CineSur

O filme paraguaio ¿Quién Mató a Narciso? foi o grande vencedor da categoria de melhor longa-metragem sul-americano no festival Bonito CineSur. A cerimônia de premiação ocorreu no último sábado (1º), no Centro de Convenções de Bonito, em Mato Grosso do Sul. A obra, dirigida por Marcelo Martinessi, é uma adaptação do livro Narciso, escrito pelo jornalista Guido Rodríguez Alcalá.

História e contexto político

A trama é baseada no assassinato de Bernardo Aranda, um locutor de rádio homossexual ocorrido em 1959. O crime, que envolveu o incêndio do jovem enquanto dormia, nunca foi solucionado, embora a Comissão da Verdade e Justiça do Paraguai aponte indícios de envolvimento do governo militar. O período, sob o comando do general Alfredo Stroessner, é considerado a ditadura mais longa da América do Sul, acumulando cerca de 20 mil prisões, 59 execuções e 336 desaparecimentos ao longo de 35 anos.

O ator Diro Romero, que interpreta o protagonista, celebrou a premiação: “De verdade, este prêmio proporciona um desfecho mais do que lindo. Todos queremos colaborar e continuar contando histórias. Valorizamos nossas narrativas e acreditamos que é preciso contá-las e mostrá-las ao mundo”. Em entrevista, Romero enfatizou a importância de manter viva a memória sobre as ditaduras para evitar retrocessos: “Estamos começando a ter certos sinais no mundo para os quais temos que estar alertas. É o momento de abrir os olhos”.

Destaque para o cinema ambiental

O festival também premiou o diretor colombiano Alejandro Calderón, que recebeu três estatuetas. Ele foi reconhecido pelo curta Hipopótamos, el Arca de Escobar e pelo longa Páramos II: El Origen, que venceu nas categorias de júri oficial e escolha do público. O documentário de Calderón explora a formação dos páramos, ecossistemas vitais para o ciclo hídrico, alertando sobre os perigos da mineração e da monocultura.

“Nunca imaginei que isso aconteceria. Estou muito empolgado e isso é também uma recompensa pelos anos de esforço da equipe viajando pela Colômbia, atravessando montanhas, páramos e rios, enfrentando muitas dificuldades e perigos”, afirmou Calderón sobre o trabalho de alto risco realizado para a produção do filme.