Edição Brasília

Ana Maria Gonçalves: ‘Um Defeito de Cor’ não é uma contra-história

A escritora Ana Maria Gonçalves discute a importância de Um Defeito de Cor e como a literatura negra disputa a narrativa histórica do Brasil.
Ana Maria Gonçalves: 'Um Defeito de Cor' não é uma contra-história

A escritora Ana Maria Gonçalves, autora do aclamado romance Um Defeito de Cor, reafirmou durante o evento Julho das Pretas, em Brasília, a importância da literatura negra na reconfiguração da narrativa nacional. Para a autora, obras contemporâneas são fundamentais para explicar as raízes do racismo estrutural e justificar a necessidade de políticas de reparação, como as cotas raciais.

Uma narrativa sobre a vivência negra

O livro, que narra a trajetória de Kehinde, uma mulher sequestrada no Benin e escravizada na Bahia, é visto como uma peça central para compreender as feridas históricas do Brasil. Gonçalves ressalta que o romance não busca ser uma “contra-história”, mas sim a própria história do país contada a partir de um olhar que foi marginalizado por séculos.

O impacto contínuo da escravidão

Segundo a imortal da Academia Brasileira de Letras, a história contada em sua obra não é um evento do passado, mas uma continuidade que se reflete na violência e na perseguição sofrida pela população negra nos dias atuais. A autora enfatiza que o objetivo de sua literatura é ocupar o espaço central do debate histórico, dando voz e rosto a quem, por muito tempo, foi tratado apenas como estatística.