Em maio de 2006, o estado de São Paulo viveu um dos períodos mais sombrios de sua história recente. O que deveria ser uma celebração de Dia das Mães transformou-se em luto para Débora Maria da Silva, após o assassinato de seu filho primogênito, Edson Rogério Silva dos Santos. O jovem gari foi uma das mais de 500 vítimas dos episódios que ficaram conhecidos como os Crimes de Maio.
O impacto da violência nas periferias
Os ataques, coordenados por uma organização criminosa e seguidos por uma reação violenta de agentes do Estado e grupos de extermínio, atingiram majoritariamente jovens negros moradores de periferias. Débora relembra com detalhes o momento em que soube da morte do filho, atingido por cinco tiros após uma abordagem policial em um posto de gasolina na Baixada Santista.
Duas décadas depois, a fundadora do movimento Mães de Maio afirma que a data perdeu seu sentido festivo. Para ela e centenas de outras famílias, a luta por memória e justiça é o que resta diante da impunidade. O caso continua sendo um símbolo das violações de direitos humanos no Brasil e da necessidade de reforma nas políticas de segurança pública.



