A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) completa, no próximo dia 19 de agosto, 50 anos do atentado a bomba que atingiu sua sede, localizada na Rua Araújo Porto Alegre, no centro do Rio de Janeiro. Para marcar a data, a entidade lançou uma edição especial de seu boletim, que utiliza documentos históricos e relatórios confidenciais para analisar o episódio ocorrido em 1976.
A explosão, que atingiu o sétimo andar do edifício, destruiu banheiros próximos à sala da presidência e causou danos estruturais em diversos pavimentos. Embora não tenha deixado feridos, o atentado foi um marco da violência política contra a liberdade de expressão durante o regime militar. O grupo paramilitar Aliança Anticomunista Brasileira (AAB) assumiu a autoria do ataque, deixando panfletos no local que acusavam a entidade de ser dominada por comunistas.
A publicação especial, editada pelo conselheiro Geraldo Cantarino, destaca o papel da imprensa como pilar de resistência. Entre os documentos citados, estão informes do Serviço Nacional de Informações (SNI) que revelam o nível de vigilância exercido pelos órgãos de segurança sobre a ABI na época. Segundo a associação, esses registros são fundamentais para compreender o aparato repressivo que buscava silenciar vozes democráticas.
O atual presidente da ABI, Octávio Costa, ressalta que o ataque não deve ser visto como um evento isolado, mas como parte de uma estratégia de intimidação contra a abertura política. Naquele período, a ABI era presidida pelo jornalista Barbosa Lima Sobrinho e contava com nomes de peso do jornalismo brasileiro. A edição comemorativa do boletim também resgata fotografias históricas do prédio, inaugurado em 1938 e reconhecido como um ícone da arquitetura moderna brasileira, reafirmando a importância da preservação da memória contra o autoritarismo.







