O auditório do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 4 do Gama fervilha de atividade. Dezenas de estudantes, com idades entre 14 e 15 anos, acompanham atentamente a palestra que marca a primeira etapa do projeto “Sou de Brasília, Mas Não Conhecia”. O guia turístico Rafael Marinho, no palco, lança perguntas que desafiam o conhecimento local dos jovens: “Quem planejou Brasília? Já ouviram falar em Juscelino Kubitschek ou Oscar Niemeyer? Quando a cidade foi inaugurada?”
As mãos se levantam rapidamente, as respostas se cruzam e a curiosidade toma conta do espaço. Esta dinâmica faz parte do que é chamado de Turismo Pedagógico, uma iniciativa crucial promovida pelo Instituto Cultural Caminhos (ICC) com o apoio fundamental da Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF).
Investimento e Impacto: Mais de 10 Mil Jovens Beneficiados
O CEF 4 do Gama é apenas uma das 30 escolas públicas do Distrito Federal que estão sendo atendidas por esta iniciativa de grande escala. Com um fomento robusto de quase R$ 700 mil da Setur-DF, o projeto tem a meta ambiciosa de beneficiar mais de 10 mil estudantes do DF e do Entorno até dezembro. O objetivo é claro: oferecer palestras e visitas guiadas que mergulham no patrimônio cultural e histórico da capital.
O secretário de Turismo, Cristiano Araújo, enfatiza a importância da ação para a formação cívica dos jovens. “É uma oportunidade única para que nossos jovens conheçam de perto a riqueza histórica, cultural e cívica da nossa capital. Mais do que simples visitas, oferecemos experiências que despertam o sentimento de pertencimento, fortalecem a identidade brasiliense e ampliam o acesso ao turismo de forma inclusiva”, afirma Araújo. Ele complementa que é através da educação e da vivência que se formam “cidadãos conscientes do valor do nosso patrimônio e protagonistas no fortalecimento do turismo interno”.
Da Teoria à Prática: Alunos Conhecem o Patrimônio de Perto
Para muitos estudantes, o projeto transforma o conhecimento teórico em realidade palpável. João Pedro Rodrigues, de 15 anos, assistiu à palestra com entusiasmo. Ele já tinha um interesse prévio pela história da cidade. “Eu conhecia muito pelos livros, sempre gostei de ler sobre a cidade. Eu já sabia um pouco da trajetória do Athos Bulcão e do Lucio Costa. Agora poderemos visitar pessoalmente tudo o que antes víamos só nos livros. Eu acho isso muito legal”, relata, animado com a perspectiva dos passeios.
Outros alunos, como Ana Beatriz Alves, também de 15 anos, veem na iniciativa a chance de superar barreiras logísticas. “Eu, por exemplo, não fui em todos os pontos turísticos, mas já conheci alguns. Meu pai e minha mãe trabalham muito, então fica difícil para eles me levarem em todos os lugares”, explica a aluna, destacando o caráter inclusivo do projeto.
Turismo Pedagógico: Duas Etapas Essenciais
Stein Anistia, presidente do Instituto Cultural Caminhos e idealizador do projeto, explica que a iniciativa busca ativamente aproximar os alunos do patrimônio de Brasília, utilizando uma metodologia pioneira. “Somos pioneiros no turismo pedagógico, que é falar sobre os pontos turísticos da cidade de forma educativa. Mostramos imagens da Torre de TV, da Ponte JK e de outras construções no telão, enquanto o guia explica detalhes e o sentimento de pertencimento”, detalha Stein.
O projeto é dividido em duas etapas cruciais. A primeira é a palestra interativa, realizada dentro das escolas. A segunda etapa, e a mais esperada, é o passeio guiado. “A segunda etapa do projeto é um passeio com os mesmos alunos, levando-os gratuitamente aos pontos turísticos que foram apresentados durante as atividades. É a vivência que consolida o aprendizado e transforma o estudante em um verdadeiro embaixador da história de Brasília”, conclui Anistia, garantindo que o investimento da Setur-DF está sendo direcionado para formar uma nova geração de brasilienses conscientes de seu valor cultural.



