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Tarifaço dos EUA teve impacto limitado no PIB do Brasil, avalia IBGE

O PIB do Brasil cresceu 2,3% em 2025 apesar das taxas de Trump. Veja como o IBGE analisa o impacto do tarifaço e a diversificação das exportações.
Tarifaço dos EUA teve impacto limitado no PIB do Brasil, avalia IBGE

A economia brasileira demonstrou resiliência ao longo de 2025, registrando uma expansão de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB) em comparação ao ano anterior. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as medidas protecionistas severas adotadas pelo governo dos Estados Unidos, apelidadas de “tarifaço”, tiveram um impacto apenas pontual no desempenho macroeconômico do país. A análise foi detalhada por Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do instituto, durante a apresentação dos indicadores de crescimento nacional.

O PIB, que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no território brasileiro, serviu como o principal termômetro para medir como o setor produtivo reagiu às pressões externas. Apesar do cenário desafiador no comércio internacional, as exportações brasileiras apresentaram uma alta robusta de 6,2% no acumulado do ano. Esse resultado surpreendeu analistas que previam um cenário mais sombrio devido às barreiras tarifárias norte-americanas.

Diversificação de mercados e resiliência exportadora

De acordo com Rebeca Palis, a estratégia dos exportadores brasileiros foi fundamental para mitigar os danos das novas taxas. A pesquisadora assinala que o setor buscou ativamente novos mercados consumidores, reduzindo a dependência histórica das compras americanas. “Em relação ao tarifaço, a gente realmente viu que foram coisas muito pontuais. Os exportadores procuraram outros mercados. O Brasil já estava conseguindo exportar mais para outros países”, explicou a coordenadora.

Palis ressaltou que, embora os Estados Unidos continuem sendo um parceiro comercial de peso, sua influência relativa no destino das mercadorias brasileiras vem sofrendo alterações. A especialista ponderou que, em um cenário sem as sobretaxas, o crescimento das exportações poderia ter sido ainda mais expressivo, mas enfatizou que o avanço registrado foi crucial para sustentar o PIB em 2,3%. Atualmente, os Estados Unidos ocupam a posição de segundo maior parceiro comercial do Brasil, ficando atrás apenas da China, que mantém a liderança isolada.

O contexto político e as tensões diplomáticas

O regime tarifário imposto pelo presidente Donald Trump entrou em vigor em agosto de 2025, sob a justificativa oficial de proteger a indústria e a economia dos Estados Unidos. A administração americana defendeu que a taxação incentivaria a fabricação local de produtos, desencorajando a importação. No entanto, o Brasil enfrentou alíquotas particularmente agressivas, que chegaram a atingir o patamar de 50% em determinados setores.

Além das motivações econômicas, o governo americano vinculou as sanções a questões políticas internas do Brasil. Trump chegou a alegar que as taxas eram uma forma de retaliação ao tratamento jurídico dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Na época, o líder americano afirmava que Bolsonaro sofria perseguição política, antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) condenar o ex-mandatário, em setembro de 2025, por tentativa de golpe de Estado. Esse imbróglio diplomático adicionou camadas de incerteza às negociações bilaterais ao longo de todo o segundo semestre.

Perspectivas para o comércio exterior brasileiro

Apesar das tensões, os canais diplomáticos e comerciais continuam buscando formas de viabilizar novos acordos. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) indicam que o fluxo de exportações para os Estados Unidos sofreu oscilações, mas não entrou em colapso. Recentemente, em fevereiro de 2026, uma decisão da Suprema Corte dos EUA sobre a legalidade de taxar compras internacionais gerou novas reações do governo americano, que ameaçou estender as medidas a outros países.

O Mdic monitora de perto o novo regime tarifário e projeta que ele continuará influenciando a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano. Contudo, o balanço de 2025 deixa uma lição de pragmatismo para o agronegócio e a indústria nacional: a diversificação de parceiros comerciais, especialmente com o fortalecimento de laços na Ásia e no Oriente Médio, tornou-se a principal blindagem do Brasil contra instabilidades políticas em Washington.