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Senado aprova projeto que autoriza Brasil a retaliar tarifas contra produtos nacionais

O texto permite ao governo aplicar medidas comerciais em resposta a barreiras de outros países e avança como estratégia de proteção à economia brasileira.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Senado avança com proposta de defesa econômica

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou, nesta terça-feira (1º), um projeto de lei que autoriza o Brasil a retaliar barreiras comerciais impostas por outros países.

A proposta permite ao governo federal reagir a tarifas abusivas, sanções ambientais desproporcionais e outras medidas unilaterais que prejudiquem produtos brasileiros no mercado internacional.

O texto segue agora para análise na Câmara dos Deputados. No entanto, se não houver recurso para votação no plenário do Senado, ele avança diretamente.

Medida mira práticas comerciais desiguais

O projeto recebeu o apoio da bancada do agronegócio e do próprio governo federal. Isso porque responde a ações de países que têm aplicado restrições a exportações brasileiras.

Entre os principais alvos estão medidas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e exigências ambientais da União Europeia.

Ambos os casos afetaram diretamente a agropecuária nacional, o que gerou reação no Congresso e no setor produtivo.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), relatora da proposta, destacou que a lei não se trata de retaliação, mas de proteção.

“Ela vale para todos os países que mantêm relações comerciais com o Brasil. E só será usada quando os produtos brasileiros forem alvo de barreiras injustas”, afirmou.

Governo poderá agir com base em reciprocidade

O texto aprovado estabelece que o governo poderá impor tarifas adicionais, suspender concessões ou aplicar medidas equivalentes.

Isso ocorrerá quando outro país violar acordos comerciais, adotar critérios ambientais discriminatórios ou aplicar sobretaxas de forma unilateral.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido esse tipo de resposta. Em discursos recentes, ele reforçou a importância da reciprocidade nas relações internacionais.

Assim, o Brasil mostra que está disposto a proteger sua economia, mas sem abandonar o diálogo e o respeito às normas multilaterais.

Reação do mercado é cautelosa, mas positiva

Especialistas ouvidos por analistas de mercado afirmam que a proposta reforça a posição do Brasil nas negociações internacionais.

Ainda assim, eles alertam para a necessidade de equilíbrio, porque o excesso de medidas protecionistas pode gerar tensão com parceiros estratégicos.

A medida agrada principalmente exportadores, que veem na proposta uma resposta prática contra decisões externas que afetam sua competitividade.