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RenovaDF Transforma Vidas: 2 Mil Pessoas em Situação de Rua Qualificadas no DF

Desde 2022, o RenovaDF qualificou 2 mil pessoas em situação de rua no DF, promovendo reinserção profissional. Veja como o programa e as cotas de emprego mudaram a vida de Rafaella.
RenovaDF Transforma Vidas: 2 Mil Pessoas em Situação de Rua Qualificadas no DF

“Hoje eu tenho uma casa fixa, um emprego fixo, sou copeira, trabalho das 7h às 17h e, no tempo livre, estou estudando. Minha vida mudou completamente, foi da água para o vinho.” O depoimento emocionado é de Rafaella Vieira, 23 anos, uma das milhares de beneficiadas pelo programa RenovaDF, iniciativa do Governo do Distrito Federal (GDF) focada na qualificação profissional e na reinserção social.

Desde abril de 2022, quando o RenovaDF passou a reservar 10% de suas vagas especificamente para a população em situação de rua, cerca de 2 mil pessoas que viviam em vulnerabilidade receberam capacitação técnica gratuita. Este esforço não apenas oferece formação, mas também garante o apoio necessário para a reinserção no mercado de trabalho formal.

Os resultados são tangíveis. Segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet-DF), 240 cidadãos foram contratados diretamente por intermédio da pasta. Estes novos profissionais atuam em diversas áreas, incluindo obras, serviços gerais, limpeza, conservação e até mesmo funções administrativas dentro do próprio GDF. Além disso, o Executivo Distrital implementou uma legislação crucial no ano passado, determinando que empresas contratadas pelo governo reservem 2% das vagas para este público, complementada pela criação de 15 cargos comissionados exclusivos.

O Caminho da Dignidade: Da Rua ao Emprego Fixo

A história de Rafaella Vieira ilustra perfeitamente o impacto dessas políticas. Antes de entrar no RenovaDF, ela enfrentava a dura realidade da situação de rua, lutava contra a dependência do álcool e havia perdido todos os vínculos familiares. “Eu estava sem perspectiva de vida. Meu ciclo social era horrível, eu não conseguia conversar com as pessoas. Tinha perdido totalmente os laços com a minha família”, relembra.

O RenovaDF surgiu como um ponto de virada. Antes mesmo de concluir o curso de auxiliar de manutenção, Rafaella foi contratada como copeira no Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF). Com a estabilidade da renda fixa e dos direitos trabalhistas, ela não só conseguiu retomar os estudos — dedicando-se à conclusão da educação básica na Escola Meninos e Meninas do Parque (EMMP) — como também pôde voltar a morar com a mãe e a filha de 8 anos.

“Agora eu sonho em passar em um concurso público. Posso ajudar em casa, cuidar da minha filha, reconstruir minha família. São sonhos que antes eu nem conseguia imaginar”, compartilha Rafaella. “O Renova me deu uma nova chance de recomeçar, de ser uma cidadã do bem, uma pessoa melhor. Eu estou vencendo a cada dia.”

Estratégia Integrada e Qualificação Profissional

O chefe da Casa Civil e coordenador do Plano Distrital para a População em Situação de Rua, Gustavo Rocha, enfatiza que a reserva de vagas no RenovaDF faz parte de uma estratégia mais ampla para promover o bem-estar. “Mapeamos o perfil dessa população e o que faltava ser oferecido: moradia, local para pernoitar, qualificação, escola para os filhos e até espaço para os animais de estimação. Sem trabalho, ninguém rompe o ciclo da rua”, explica Rocha.

O curso oferecido pelo RenovaDF capacita os participantes como auxiliares de manutenção, permitindo que apliquem o conhecimento na reforma de equipamentos públicos, unindo aprendizado prático e serviço comunitário. Ilton Teixeira, titular da Subsecretaria de Atendimento ao Trabalhador e Empregador (Sate) da Sedet, reforça o sucesso: “Por meio do RenovaDF, nós já contratamos, de 2022 para cá, 240 pessoas em situação de rua que hoje estão trabalhando e tiveram sua dignidade de volta.”

A seleção dos candidatos é um processo articulado entre a Sedet-DF e a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF). A Sedes realiza a triagem inicial nos centros de assistência social (Cras, Centros POP e Creas), encaminhando os nomes à Sedet, que divulga as vagas conforme o perfil exigido pelas empresas parceiras.

Durante a formação, os alunos recebem instrução técnica na construção civil, além de orientações cruciais sobre ética e comportamento profissional. Os benefícios incluem uma bolsa equivalente a um salário mínimo (mediante cumprimento de 80% da carga horária), lanche diário, uniforme e EPI. Os 25% com melhor desempenho ainda avançam para uma vivência profissional em grandes empresas do setor, graças à parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-DF).

A legislação distrital, publicada em fevereiro de 2025, que exige a contratação de 2% de pessoas em situação de rua em contratos de obras e serviços do governo, solidifica a inserção no mercado. O subsecretário Ilton Teixeira destaca que, além de incluir a obrigatoriedade nos editais, há um trabalho contínuo de sensibilização de empresas privadas que não possuem vínculo direto com o GDF, ampliando as oportunidades de emprego e dignidade para a população mais vulnerável do Distrito Federal.