A saúde pública e o papel transformador dos pets
A integração de pets em ambientes hospitalares da rede pública tem se mostrado uma estratégia eficaz para tornar o atendimento mais humano e acolhedor.
Estudos recentes, como o publicado na plataforma The Conversation Brasil pela pesquisadora Renata Roma, reforçam que a presença de animais de estimação contribui significativamente para a saúde mental e física dos pacientes.
Essa proposta está alinhada com a Política Nacional de Humanização (PNH), que visa oferecer um cuidado mais inclusivo.
Além disso, o Brasil possui a terceira maior população de pets do mundo, o que evidencia a necessidade de considerar esses vínculos no planejamento de saúde pública.
Portanto, ao permitir a presença dos pets em hospitais e clínicas, o sistema se adapta à realidade emocional de milhares de brasileiros.
Ainda assim, a prática é recente e requer estrutura para se tornar viável em larga escala.
Três benefícios principais da presença de pets na saúde pública
1. Aumento da adesão aos tratamentos
Pacientes com transtornos mentais severos ou em situação de vulnerabilidade social encontram no pet uma razão para buscar ajuda médica.
Em muitos casos, o medo de deixar o animal sozinho os afasta dos serviços de saúde.
Por isso, permitir que o pet os acompanhe remove essa barreira e amplia o acesso.
2. Redução do estresse de pacientes e profissionais
A presença de animais torna o ambiente hospitalar mais leve.
Consequentemente, pacientes se sentem mais confortáveis e relaxados, o que contribui para o sucesso do tratamento.
Ao mesmo tempo, os profissionais relatam menor sensação de exaustão emocional, o que reduz o risco de burnout.
3. Fortalecimento da comunicação entre paciente e equipe
Conversar sobre o pet pode ser a porta de entrada para um vínculo mais empático com o paciente.
Ou seja, o animal facilita o diálogo e melhora a qualidade da escuta e da troca de informações.
Dessa forma, políticas pet-friendly não apenas promovem saúde emocional, como também qualificam o atendimento prestado.
Desafios e soluções para implementar políticas pet-friendly
Apesar dos avanços, há resistência à adoção generalizada da prática.
No entanto, experiências internacionais, como a do Juravinski Hospital, no Canadá, mostram que os riscos podem ser controlados com protocolos claros.
Em São Paulo, por exemplo, a visita de pets a hospitais já está regulamentada.
Para garantir segurança, são exigidos laudos veterinários, regras de circulação e acompanhamento profissional.
Além disso, os animais devem estar saudáveis, higienizados e comportados.
Caso contrário, podem gerar desconfortos a outros pacientes, especialmente aqueles com alergias ou fobias.
Portanto, é essencial envolver as equipes de saúde no processo de construção dessas políticas.
Assim, garante-se o preparo necessário para lidar com diferentes situações e promover um ambiente equilibrado.
Uma saúde mais integrada e humana
A proposta está alinhada ao conceito de “Uma Só Saúde” (One Health), que reconhece a conexão entre a saúde humana, animal e ambiental.
Logo, a inclusão dos pets na rede pública é mais do que um gesto afetivo: é uma escolha estratégica e integrada.
Com treinamento adequado, normativas claras e apoio institucional, o Brasil pode avançar em uma nova etapa de humanização do SUS.
Dessa maneira, a saúde pública se torna mais sensível às reais necessidades da população, promovendo não só cura, mas também bem-estar.