Embora o calendário oficial aponte que faltam alguns dias para o início formal do Carnaval, o espírito da folia já domina as ruas do Distrito Federal. No último fim de semana, uma série de blocos de pré-Carnaval transformou a capital federal em um verdadeiro palco de celebração antecipada, reunindo foliões de todas as idades e origens para o tradicional esquenta que define o tom da festa em 2026.
O grande protagonista das festividades foi o bloco Suvaco da Asa. Reconhecido como um dos pilares da resistência cultural brasiliense, o grupo completou duas décadas de história este ano. O Suvaco da Asa é famoso por transportar a essência vibrante do Carnaval de Pernambuco para o coração do Planalto Central, mesclando ritmos como o frevo, a ciranda, o samba e o inovador mangue beat. Essa fusão rítmica atrai uma multidão apaixonada que vê no bloco uma extensão das tradições nordestinas em solo candango.
A Coroação do Suvaco da Asa e a Diversidade Cultural
Um momento de grande simbolismo marcou o sábado (7) no Eixo Cultural Ibero-Americano. A Corte Real do samba, composta pelo Rei Momo e pela Rainha do Carnaval, entregou oficialmente a chave simbólica da folia ao Suvaco da Asa. O ato declarou a abertura oficial das festividades na cidade. Pablo Feitosa, presidente do bloco, expressou sua emoção ao receber a honraria, destacando que o reconhecimento coroa 20 anos de dedicação e trabalho árduo para manter viva a tradição do bloco que abre as portas para a alegria em Brasília.
A diversidade é, sem dúvida, a marca registrada da folia brasiliense. A DJ La Ursa, pernambucana radicada na capital há mais de uma década, ressaltou a particularidade de tocar no Distrito Federal. Segundo a artista, Brasília funciona como um ponto de encontro para o Brasil inteiro, permitindo que diferentes raízes se cruzem e se enalteçam mutuamente. No palco do Suvaco, o público também aproveitou apresentações de Chico Science e Nação Zumbi Cover, Orquestra Marefreboi, Dhi Ribeiro e DJ Lane D’Olinda, reforçando o caráter plural do evento.
Inclusão e Tradição: O Carnaval para Todas as Gerações
Enquanto o frevo ecoava em um ponto da cidade, o Setor Bancário Sul recebia o bloco Marchinha 60+, provando que a folia não tem idade. O evento focou na preservação das marchinhas, um gênero fundamental da cultura nacional. Marcelo Silva, responsável pelo bloco, explicou que a iniciativa visa integrar o público da terceira idade à festa, mantendo vivo o concurso de marchinhas que já possui quase meio século de história em parceria com o tradicional bloco Pacotão.
A cantora Andreia Lira, que subiu ao palco para interpretar composições locais, destacou a importância de incentivar novos e antigos compositores. Para ela, a marchinha é um patrimônio que precisa ser protegido e passado adiante. Essa valorização da memória musical brasileira garante que o Carnaval de Brasília mantenha sua identidade única, mesmo diante das inovações contemporâneas.
Impacto Econômico e Apoio Institucional
O secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Claudio Abrantes, enfatizou o papel vital que essas manifestações desempenham na sociedade. Além de promoverem o pertencimento e a liberdade cultural, os blocos de rua são motores importantes da economia criativa local. A ocupação de espaços públicos como praças e avenidas gera empregos, movimenta o comércio e reafirma Brasília como um território de encontros e tradições.
O fim de semana de pré-Carnaval não parou por aí. A folia se espalhou por diversas regiões administrativas, incluindo o Bloco Tá Chic, Tá Bacana no Riacho Fundo II, o Desodorante do Suvaco no Cruzeiro Velho, o Bloco Galo Cego no Setor Bancário Sul e o Bloco do Pretinho no Varjão. Com uma programação tão vasta e descentralizada, o Distrito Federal demonstra que o Carnaval de 2026 será lembrado pela garra de seus foliões e pela riqueza de sua cultura popular.



