O procurador-geral da República, Paulo Gonet, encaminhou nesta terça-feira (3) ao Supremo Tribunal Federal (STF) um parecer favorável ao arquivamento do inquérito instaurado contra o empresário norte-americano Elon Musk, proprietário da rede social X (antigo Twitter). A manifestação surge após uma análise detalhada das evidências colhidas pela Polícia Federal ao longo das investigações sobre a conduta do bilionário frente às ordens judiciais brasileiras.
A investigação em questão tramita na Suprema Corte há aproximadamente dois anos. O foco central do inquérito era determinar se a plataforma X estava sendo utilizada de forma instrumental para viabilizar ataques virtuais contra ministros do STF, além de verificar possíveis atos de desobediência a decisões que ordenaram a suspensão de perfis de indivíduos investigados por atos antidemocráticos e disseminação de desinformação em massa.
Conclusões da Polícia Federal e Parecer da PGR
Segundo o documento assinado por Gonet, a Polícia Federal (PF) realizou uma série de diligências e perícias para verificar se houve resistência intencional por parte da rede social em cumprir as determinações do Poder Judiciário. O relatório final da PF indicou que não foram encontrados elementos que comprovassem uma “resistência deliberada” da plataforma para atentar contra as instituições brasileiras ou o Estado Democrático de Direito.
Gonet destacou que, embora tenham ocorrido inconsistências técnicas que permitiram o acesso temporário a conteúdos que deveriam estar suspensos, tais falhas não demonstraram uma intenção fraudulenta ou um plano coordenado para desrespeitar a lei. O procurador-geral enfatizou em seu texto que “inexistem elementos de informação que apontem para uma resistência deliberada da plataforma em acatar as determinações desta Corte ou do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”.
O Papel de Alexandre de Moraes no Caso
Com o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) em mãos, a decisão final sobre o encerramento do caso cabe agora ao ministro Alexandre de Moraes, que é o relator do inquérito no Supremo. Moraes tem a prerrogativa de seguir o entendimento da PGR e arquivar o processo ou, caso entenda necessário, solicitar novas diligências, embora o posicionamento do Ministério Público Federal tenha um peso jurídico significativo em decisões desta natureza.
O embate entre Elon Musk e o Judiciário brasileiro ganhou contornos internacionais nos últimos meses, gerando debates acalorados sobre soberania digital, limites da liberdade de expressão e a responsabilidade das Big Techs em solo nacional. No entanto, sob a ótica estritamente jurídica apresentada por Gonet, as provas colhidas até o momento não sustentam a continuidade da persecução penal contra o empresário no âmbito deste inquérito específico.
A expectativa agora gira em torno da publicação da decisão de Moraes, que deve ocorrer nos próximos dias, selando o destino jurídico de Musk em relação a estas acusações específicas de obstrução e desobediência que marcaram o cenário político e jurídico recente.



