A participação ativa da população do Distrito Federal (DF) na fiscalização e aprimoramento dos serviços de saúde atingiu um patamar significativo em 2025. Entre 1º de janeiro e 31 de dezembro, a Ouvidoria da Secretaria de Saúde (SES-DF) registrou impressionantes 77 mil manifestações. Este volume, que inclui reclamações, sugestões e, notavelmente, elogios, reforça o papel da ouvidoria como um termômetro vital da gestão pública.
Um dado que merece destaque é o reconhecimento dos servidores: os profissionais de saúde foram os que mais receberam elogios em comparação com todas as demais atuações que compõem o Governo do Distrito Federal (GDF). Esse feedback positivo sublinha o esforço e a dedicação da linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital.
A eficiência do sistema é exemplificada por histórias como a de Daerdane dos Santos, moradora de Santa Maria. Aos 33 anos, Daerdane enfrentou dificuldades para cadastrar um de seus três filhos na Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência, impedindo-o de conseguir uma consulta médica na rede da SES-DF. Após esgotar as tentativas tradicionais, ela recorreu ao sistema Participa DF para registrar uma reclamação formal.
A resposta foi rápida e eficaz. Em apenas cinco dias, Daerdane recebeu a visita de Agentes Comunitários de Saúde (ACS). A equipe não apenas cadastrou toda a família na UBS, como também agendou a consulta necessária para o filho caçula. “O sistema foi muito eficiente, prestativo e acolhedor. O mais interessante é a possibilidade de acompanhar toda a situação pelo Participa DF. A comunicação e a resposta da ouvidoria por e-mail, me dando um feedback constante, foram essenciais para a solução”, relatou a moradora.
Ouvidoria: Um Direito Constitucional e Pilar do SUS
O Chefe da Ouvidoria da SES-DF, Thyerys Araruna, enfatiza que a atuação do órgão transcende a simples resolução de problemas individuais. Ela está diretamente ligada ao direito constitucional do cidadão à saúde e aos princípios de participação social na administração pública. “O texto constitucional incluiu a eficiência como princípio obrigatório da administração e abriu caminho para que a população pudesse participar ativamente da fiscalização e do aperfeiçoamento dos serviços oferecidos pelo Estado”, explica Araruna.
Segundo o gestor, o fortalecimento dos sistemas de ouvidoria no Brasil acompanha a própria consolidação do SUS. Na prática, esses canais funcionam como ferramentas democráticas cruciais. Eles recebem, analisam e encaminham as manifestações da população, transformando dados brutos em informações sistematizadas que são usadas para aprimorar políticas e gestão de saúde.
As ouvidorias operam em uma rede integrada nas diferentes esferas do SUS, promovendo um modelo de corresponsabilização entre gestores e cidadãos. Essa integração garante que o feedback popular não se perca, mas sim se torne um motor de melhoria contínua dentro do sistema de saúde.
Transparência Ativa e Monitoramento em Tempo Real
Além de processar as manifestações, a SES-DF investe em ferramentas de transparência que colocam o cidadão no centro da gestão. Um sistema de monitoramento acompanha, em tempo real, a situação das portas de emergências dos hospitais da pasta. Essa ferramenta transforma dados internos complexos em informação transparente e atualizada automaticamente.
Os dados são disponibilizados em um mapa interativo, que exibe painéis detalhados por unidades hospitalares e atenção especializada. O sistema permite, inclusive, a consulta individual da posição na fila de espera. Por meio deste painel, o usuário pode identificar, por exemplo, o número exato de pacientes aguardando em cada porta de emergência, o tempo médio de espera baseado na classificação de risco, o volume total de atendimentos e a situação por território, hospital e especialidade. Essa transparência ativa é fundamental para reduzir a ansiedade dos pacientes e garantir que os gestores respondam de forma imediata às demandas de alta complexidade.



