A realidade de Vicente Pires, no Distrito Federal, foi drasticamente transformada após a conclusão das principais obras de drenagem e infraestrutura. Por anos, a região era conhecida pejorativamente como ‘Vicente Pires Buraco’, um apelido que refletia a dura convivência dos seus 100 mil moradores com enxurradas violentas, muros derrubados, casas alagadas e veículos engolidos por crateras abertas pela força da água. Hoje, esse cenário de risco faz parte do passado.
O ponto de virada ocorreu em 2019, quando o Governo do Distrito Federal (GDF) iniciou um robusto pacote de obras, totalizando um investimento de R$ 420 milhões. O projeto monumental incluiu a construção de mais de 213 quilômetros de galerias de águas pluviais, a pavimentação de mais de 1 milhão de metros quadrados de vias e a implantação estratégica de 12 lagoas de contenção. O militar Admilson Teixeira, morador há 26 anos, resume o sentimento da comunidade: “Sabemos que Vicente Pires não foi uma cidade planejada, mas finalmente alcançou aquilo que nós moradores sempre sonhamos.”
Infraestrutura robusta garante segurança hídrica
Valter Casimiro, secretário de Obras e Infraestrutura (SODF), afirma que Vicente Pires vive um novo e definitivo capítulo. “Estamos consolidando um sistema de drenagem robusto, pensado para acabar, de forma definitiva, com os transtornos causados pela chuva e garantir segurança para milhares de famílias. Essa é uma prioridade do GDF”, explica Casimiro. A SODF foi responsável pela execução de toda a parte central da cidade, abrangendo drenagem profunda, pavimentação, redes de serviço, contenções e recuperação viária.
Atualmente, as equipes se concentram nos chamados trechos residuais, áreas que exigiram maior complexidade técnica. O secretário-executivo, Erinaldo Sales, detalha que a finalização da drenagem e a colocação da última camada de pavimentação definitiva estão em andamento em locais como a Avenida Misericórdia e a Flor da Índia, que pertencem à Colônia Agrícola Samambaia. “Essa área havia ficado como última fase justamente por ser mais complexa. Já iniciamos a finalização da drenagem nesses pontos para garantir mais segurança e conforto para os moradores”, afirma Sales.
As intervenções de infraestrutura incluem ainda a construção de uma lagoa de detenção crucial próxima à Rua da Misericórdia. Este equipamento, já concluído, tem a função vital de reduzir a velocidade da água captada pelas galerias, prevenindo impactos negativos no Córrego Samambaia e protegendo a comunidade contra inundações. A dinâmica do sistema é eficiente: a água pluvial entra pelas bocas de lobo, percorre a tubulação e é amortecida por poços de visita, que atuam como pequenos degraus para diminuir a energia do fluxo, antes de chegar ao dissipador final.
O fim de uma era de prejuízos e tragédias
Para os moradores mais antigos, a mudança é palpável e emocional. Gilberto Camargos, aposentado de 62 anos que reside em Vicente Pires há mais de três décadas, compara a situação atual com o passado de maneira dramática. “Se eu fosse comparar o passado com agora, diria que a cidade está muito boa. Antes, tínhamos muita água correndo pelas ruas; hoje existem galerias. Elas livraram a cidade dos alagamentos graves, daqueles casos de veículos caindo em buracos”, relata.
Gilberto relembra tragédias que marcaram a cidade, como famílias que perderam múltiplos carros e, mais gravemente, a morte de um bebê em um dos alagamentos históricos. “Isso não acontece mais. Estamos no céu”, celebra. Ele destaca que as enxurradas que antes derrubavam cinco ou dez muros de uma vez, vindo “como uma avalanche”, desapareceram. O militar Admilson Teixeira reforça a questão dos prejuízos materiais: “No período chuvoso, era lama demais. Na seca, era poeira o tempo inteiro. Eu mesmo tive três carros que praticamente perderam o motor por causa dos buracos. Não há carro que aguente.”
Com a implantação da drenagem e do asfalto definitivo, a cidade não apenas se tornou segura, mas também mais desenvolvida. As novas vias pavimentadas permitiram a chegada de melhorias gerais, incluindo redes de mercado, farmácias, bancos e até mesmo a construção de uma UPA. A circulação pela cidade, antes um tormento na época das chuvas, agora é normalizada, consolidando Vicente Pires como uma área moderna e preparada para o futuro.



